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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Natal.

Estamos no Natal. Celebra-se o dia que, todos sabemos, não foi o dia em que Jesus terá nascido. Mas já aí vamos.
Vamos primeiro à forma como eu gosto de ver as pessoas. Todos nós, como seres biológicos que somos, devíamos ter um sentido/instinto de espécie. E como seres conscientes que somos devíamos tê-lo racionalmente presente na forma como agimos. Mas mais do que apenas uma espécie, eu gosto de nos ver ainda de uma forma um pouco mais conexa, porque somos indivíduos que podem ter consciência desse sentido (de espécie), e isso é-nos único. Cada um de nós pode (e deve) ter a consciência não só do seu papel individual, mais ainda, não só do seu contributo nos grupos de indivíduos como famílias ou comunidades, mas da sua imperativa participação, por direito e por dever, para o grupo mais abrangente, a espécie. Pois é, para além das razões morais, religiosas, românticas, etc, esta é a perspectiva biológica que sustenta a acção não egoísta, a acção solidária.
Agora do interesse geral julgo que seja a sobrevivência da espécie, como o é em todas. Creio que ainda não estejamos em iminente risco, apesar de algumas acções desastrosas sobre as quais não vamos discorrer hoje. Mas porque somos ambiciosos e tivemos a sorte de vir tão bem equipados com poder intelectual, julgo que devemos almejar algo mais do que a mera sobrevivência da espécie — a sobrevivência com qualidade. E julgo que facilmente concordaremos que sobrevivência com qualidade será mais facilmente traduzida como felicidade. Retenha-se então esta ideia.
Voltando ao Natal, que recordamos ficou associado ao nascimento de Jesus. Jesus é o fundador de uma religião. Ora Jesus não foi certamente o único a fazer isto, mas fê-lo de uma forma que se tornou uma das mais populares, sobretudo no ocidente. E o que é isto, uma religião? É um sistema de pensamento, uma doutrina, argumentos intelectuais/espirituais, destinados a estimular este imperativo de grupo, de pertencermos todos a algo comum e maior. Um objectivo partilhado e maior que o indivíduo em si. Uns dirão que isso é o paraíso ou o reino dos céus, outros que essa identidade comum é o próprio Deus, outros dirão que a humanidade é como um super-organismo imensamente complexo mas uno, (os americanos dirão que isso é a constituição dos EUA)...

Sem se preocupar muito com o o nome a dar a isso, ou com a teoria que o conduz lá, a conclusão aqui será sempre similar — este natal, faça a sua espécie mais feliz!
(mensagem também válida para animais de outras espécies que me estejam a ler)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Como criar zoombies? — A teoria d'O Mundo De Schrodinger

Estando há dezenas de anos fechado na caixa para servir de exemplo explicativo da teoria quântica, o gato de Schrodinger começou também ele a desenvolver uma teoria quântica sobre o mundo fora da caixa. É a seguinte: miau, miau, grrrrr...

Em linguagem inteligível por humanos a teoria quer dizer que, não tendo ele forma de observar o que se passa no exterior da caixa, e podendo o mundo ter sido devastado imprevisívelmente por uma invasão alien ou por uma doença ou virtualmente por qualquer coisa, a humanidade (todos nós!) encontra-se num super-estado, simultâneamente viva e morta!
Este último parágrafo só terá provavelmente sentido para quem tiver algumas noções básicas sobre a física quântica.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Tirar Teimas

Zé Manel, a propósito da nossa discussão gerada pelo meu post "Dica", sugiro que faças a experiência e postes aqui o resultado. Faz isso tal qual um anúncio da Neoblanc ou da Blanka Oxi Action. Faz água versus leite e vê o resultado. Assim, tiramos essa dúvida pertinente que colocaste. Porque este blog é muito conhecido pelo seu forte serviço público, parece-me errado deixarmos os nossos leitores sem uma resposta concreta. Suja 2 trapos com marcador preto. É pena já não existir molin, porque essa foi a marca com que pintei as calças.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Comparação É Uma Bitch

Os centros cerebrais do prazer, depois de hiper-estimulados repetidamente pelo uso crónico de drogas, tornam-se resistentes a outros estímulos na medida em que o organismo tenta moderar os efeitos de uma estimulação extrema. Então, os prazeres mais comuns da vida, como o prazer ligado à comida, sexo, realizações pessoais, tornam-se insignificantes quando comparados com a intensa euforia produzida pela
droga. 


A comparação é lixada e, neste caso, a dopamina também.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um ditado e o darwinismo

Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.
É assim que diz o ditado.
Já confirmei várias vezes que é verdade, empiricamente. Quando as pessoas estão com fome e não têm comida disponível, ou prevê-se que ela demore muito a chegar, chegam a situações de litígio com problemáticas irrelevantes. Quando as pessoas estão com fome discutem com muito mais facilidade! Mas porquê?
Para percebermos isto temos que recuar até ao período Paleolítico, quando os Homens caçavam mamutes com paus e pedras. Nessa altura os Homens viviam em eterno sobressalto, temendo constantemente serem atacados por uma fera que os visse passar. Passavam a maior parte do tempo escondidos em cavernas, amedrontavam-se e amontoavam-se perto de uma fogueira feita sem acendalhas, e essa proximidade dos corpos fazia com que o medo se dissipasse um pouco e com que copulassem muito. Depois de copularem já se sabe, ou vinha o sono ou vinha a fome, coisa que também se manteve na espécie até aos dias de hoje. Ora quando vinha o sono não havia grande história para contar, tirando que ressonavam ainda mais do que hoje se ressona, porque os roncos assustavam e dissuadiam eventuais predadores. Já quando vinha a fome...
Quando vinha a fome os homens normalmente não tinham frigoríficos para abrir, e os que tinham acredita-se que estivessem vazios. Posto isto enervavam-se, tal como hoje. Dentro daquele espírito neandertal (atenção que não descendemos dos neandertais, mas o adjectivo fica aqui bem) crescia o ódio, a raiva, aquela agressividade que vem com a fome, e como na altura ainda não estava na moda a violência doméstica, os homens que antes estavam covardemente atrás de uma fogueira, agora impelidos pela raiva, saiam disparados da caverna e extravasavam aquela cólera toda matando uma besta de 10 toneladas à paulada. Depois disso comiam o mamute cru, como um Homem deve fazer, e regressam à caverna. E depois de saciados ou voltam a dormir ou a copular.
E foi assim que foram vingando os homens mais adaptados: nós descendemos dos que mais se enervavam quando tinham fome, porque no fim de contas esses comiam mais (e acasalavam mais!)
Por isso sempre que te irritares quando quiseres comer e não tiveres bolachas em casa, lembra-te que é normal! E também que foi por isso que se extinguiram os mamutes.
Agradeço quem arranjar uma revista científica interessada em publicar a minha tese, tipo a nature.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cool Medicine

Eu quase nunca vos falo do meu curso, e quando falo é para dizer, sinceramente ou distorcendo um pouco a realidade a meu favor, que é por causa dele que não tenho postado.
Hoje vou partilhar coisas de alguma forma relacionadas com ele e que vocês vão achar interessantes.
Vamos começar por falar daquele que será talvez o pintor mais famoso de sempre, dizem mesmo algumas bocas o melhor de sempre (mas não a minha)!
Pablo Picasso, o criador do cubismo tinha horror a ter sífilis, e não só teve o horror como acabou por ter também a doença, isto numa altura em que não havia penicilina (inicio do séc XX). Ora uma das complicações tardias da sífilis não tratada é a neurossífilis, que basicamente tem a ver com o atingimento cerebral. Alguns dos sintomas da neurossífilis são a visão dupla e tripla. Ora especula-se que esses sintomas tenham sido decisivos na inspiração do pintor no seu estilo, que como toda a gente sabe tem tudo a ver com a desconstrução de planos e perspectivas.

Les Demoiselles d'Avignon, o quadro que inaugurou o cubismo, pintado por Picasso. Referência evidente a um bordel, tipo de casa que casa que o pintor chegou a frequentar habitualmente em certo período da sua vida, entendendo-se portanto bem o seu medo e especialmente o ter-se tornado real.

Júlio Cesar, o grande imperador romano deu nome à cesariana não por ter nascido desta forma mas porque decretou uma lei em que no caso de morte da mãe durante o parto o médico que estivesse  a prestar assistência podia e devia abrir a barriga da mãe e tentar tirar a criança dessa forma com vida. Não sei se nessa altura isto correspondeu alguma vez a uma vida salva ou não.

Por último apresento-vos um caso clínico peculiar:

Ora aqui está uma radiografia. Antes de continuarem a ler peço-vos que atentem bem nela e tentem 
conjecturar um quadro clínico que a explique. (...tempo para pensar convertido em espaço no post...) Muito bem, terminado o tempo para resolverem o exercício é altura de ser apresentada a solução. Esta radiografia é de uma doente deu entrada no serviço de urgência com um vibrador "perdido" (foi difícil escolher que palavra aplicar) no recto. Um vibrador daquele tamanho! E assim está explicado o achado número um na imagem. Vamos ao não menos interessante segundo achado. Aquilo que aparece por baixo do vibrador é uma tenaz da salada que ficou presa (obviamente no processo caseiro de tentativa de remoção)... E é isto, acho que não preciso acrescentar mais nada. Eu bem disse que era peculiar...
(Peculiar que chegue para acabar por aqui o post!)

sábado, 1 de dezembro de 2012

Atchim

Espirro, ou aquilo a que a ciência chama, tão pomposamente, de esternutação, é a razão pela qual volto aqui ao blog após tanto tempo de abandono (que lamento).
Eu não me preocupava muito com os espirros, tento, obviamente, resguardar-me um pouco sempre que alguém espirra próximo de mim mas, enfim, desde que não aterrassem gotas de saliva em cima de mim, dava-me por feliz.
Até há bocadinho... Desde que vi um programa na 2 acerca do assunto. É que descobri que as partículas que são libertadas num espirro, podem viajar até quarenta metros. Metros, metros do Sistema Internacional. Ou seja, a pessoa que espirrou lá à frente no comboio pode muito bem infectar-me a mim, que estou aqui na carruagem do fundo. E de nada me vale ter tapado a boca e o nariz com a gola porque tudo aquilo vai permanecer no ar durante horas, aquelas gotas de saliva e muco pejadas de vírus e bactérias, vindas directamente do nariz e boca do Sr. Não-Sei-Das-Quantas.
Uma pessoa espirra a toda a hora, pelo menos falo por mim, a minha rinite alérgica tem destas coisas. E claro que eu sempre soube que um espirro significa uma infinidade de doenças dispersas em aerossol prontinhas a atacar um organismo saudável e contente. No entanto, eu não imaginava que aquilo chegasse tão longe e, tendo em conta a frequência com que estamos expostos a espirros alheios, imagine-se a quantidade de bichinhos que eu respiro quando estou num espaço fechado como um café, por exemplo (e nem vamos falar no perigo por excelência que é uma sala de espera das Urgências).
Posto isto, não vou dizer que parem de espirrar porque isso faz muito mal, pode causar danos irreparáveis nos seios nasais, ruptura no ouvido interno e da cartilagem nasal e, em casos extremos, danos cerebrais, MAS é de ressaltar a importância de pôr algo à frente da cara quando se espirra (o braço, um lenço...) para não oportunar o próximo. Apesar do mais frequente ser, no máximo, apanhar umas constipaçãozinha, é sempre chato estar doente seja como for.

E para rematar este meu serviço público, aqui vai um vídeo de consciencialização. Passem logo para os 50 min, até lá é perda de tempo.


Ninguém merece levar com um spray nojento a viajar a 150 Km/h.

domingo, 17 de junho de 2012

There, there.

Enquanto estudo farmacologia vou encontrando destas pérolas. :D



Pobres receptores... :'(

Já todos reparámos que


não há nada mais maquiavélico que o esfregar de patas de uma mosca!




A ciência diz-nos que isso é para limpar as patas porque as moscas "saboreiam" e cheiram com as patas! Mas isto tira toda a mística do gesto, e eu não me acredito nestas tretas.


Eis a verdade! É assim que tudo se processa: A mosca vagueia na atmosfera, qual ave de rapina, quando avista um pedacinho de bosta mesmo apetitoso. Pousa para assentar as ideias e avaliar melhor a situação. Sim. Sim. Sim! Decide que vai comer, e embalada naquela volúpia de tomar decisões propõe-se a conquistar o mundo. Delineia os mais ardilosos pormenores. Depois regozija-se com o seu projecto diabólico esfregando naturalmente as patas. A seguir percebe que a sua vida fugaz não vai dar para o pôr em prática e voa não menos alegre para o suculento manjar. E é essa a nossa sorte! A mim ninguém me atira areia para os olhos!




p.s.: Sim as moscas provam com as patas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Back & Forth

 “A melhor prova de que a navegação no tempo não é possível é o facto de ainda não termos sido invadidos por massas de turistas vindos do futuro”.

~ Stephen Hawking


E diga-se de passagem que o gajo não é nada burro. Das duas uma, ou não é possível ou nunca ninguém há-de alguma vez descobrir como fazê-lo. Ora, se a nossa espécie já conseguiu descobrir coisas do arco da velha é-me mais fácil acreditar na primeira hipótese. Lá que venha a  descobrir-se um mecanismo para o teletransporte, ainda acredito mas, ir daqui ao Mesozóico visitar os dinossauros... Eh. 
Não deixa, no entanto, de ter a sua graça imaginar milhares de excursões de turistas do Tempo a vaguear por aí, estudando as gentes do século XXI. Que haveriam eles de pensar!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Meu Novo Ídolo


Taylor Wilson é um rapaz de 18 anos que criou um reactor de fusão nuclear... Na garagem!

Aos 10 anos, memorizou, numa semana, todos os números atómicos, massas e pontos de fusão dos elementos da tabela periódica, mas eram as duas últimas filas de elementos que o fascinavam. Aos onze anos de idade, procurava urânio com o pai no deserto de Novo México e comprava frascos de plutónio pela Internet.

Ler mais aqui.




Eu só sei a massa do oxigénio, carbono e hidrogénio... o.O E a tabela periódica é tão grande.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nunca te esqueças de mim


prosopagnosia 
(prosopo- + agnosia) 

s. f.

[Medicina]  Perda ou perturbação da capacidade de reconhecer rostos.



Acabo de ver uma reportagem acerca deste problema que tanto pode ser congénito como pode resultar de uma lesão cerebral. Claro que há pessoas que não são "boas com caras", que não costumam lembrar-se da face de alguém que não lhes seja muito importante, que não tenham visto muitas vezes na vida. Todavia, esta condição - prosopagnosia - implica que a pessoa não reconheça sequer um membro próximo da família, como um filho ou a mãe.
Quem tem este problema simplesmente não consegue registar diferentes faces porque não é capaz de aperceber-se das diferenças subtis que variam de um rosto para o outro, o máximo que conseguem distinguir são características demasiado gerais e que podem ser atribuídas a milhões de pessoas: cor dos olhos, cabelo, barba, orelhas...

Na prática, isto significa que jamais conseguiriam distinguir estas duas fisionomias.


Não é difícil de imaginar a quantidade de situações constrangedoras que estas pessoas experienciam, para quem desconhece o seu problema são pessoas antipáticas, snobs, desinteressadas ou na melhor das hipóteses incrivelmente distraídas. Uma das suas técnicas é sorrir constantemente para toda a gente (nem quero pensar no quão exaustivo e stressante poderá ser isso). Outra forma de colmatar esta deficiência é tentar memorizar outras características como o penteado, a forma do corpo, o modo de caminhar, de vestir, etc. Características que, infelizmente para eles, são mutáveis, basta que alguém que costuma usar o cabelo amarrado, o solte para, repentinamente, desaparecer e passar a ser um desconhecido. Na minha tentativa de compreender, presumo que essa dificuldade se assemelhe àquela que o Homem tem, geralmente, quando tenta distinguir dois irmãos gémeos verdadeiros



Por outro lado, e como quase sempre, existe uma condição oposta à prosopagnosia que se denomina super-reconhecimento. Neste caso a pessoa tem uma aptidão fora do comum para o reconhecimento facial, podendo lembrar-se de alguém que a tenha, somente, servido à mesa de um café, ou de alguém por quem tenha passado na escola há anos atrás. Não sendo, nem de longe nem de perto, tão incomodativa, esta qualidade pode fazer com que as pessoas pareçam o contrário de desinteressadas, isto é, demasiado interessadas - obsessivas.