Macacos me mordam, está bué da fixe bravissimo!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Bail-out/Bail-in
Entrou em efeito a diretiva europeia que protege os contribuintes de serem os primeiros a pagar pela falência de um banco. Na linha da frente passam a estar acionistas e credores.
"The directive establishes a bail-in system which will ensure that taxpayers will be last in the line to pay the bills of a struggling bank. In a bail-in, creditors, according to a pre-defined hierarchy, forfeit some or all of their holdings to keep the bank alive. The bail-in system will apply from 1 January 2016.
The bail-in tool set out in the directive would require shareholders and bond holders to take the first big hits. Unsecured depositors (over €100,000) would be affected last, in many cases even after the bank-financed resolution fund and the national deposit guarantee fund in the country where it is located have stepped in to help stabilise the bank. Smaller depositors would in any case be explicitly excluded from any bail-in.
To improve a struggling bank’s recovery prospects and foster general economic stability, bail-ins would apply at least until 8% of its total assets have been lost. In most cases, this would mean shareholders and many bondholders would be wiped out. Above this threshold, the resolution authority may allow the bank to access resolution fund money up to a maximum of 5% of the bank's assets.
A member state could lodge a request with the Commission to exempt certain creditors from bail-in on an exceptional and case by case basis. The Commission would have the right to object. Moreover such exemptions would still mean that the bank would need to find 8% of its assets to bail-in before it could hope to tap other funds."
Bail-in vs. Bail-out
"Bail-out is when outside investors rescue a borrower by injecting money to help service a debt. Bail-outs of failing banks in Greece, Portugal and Iceland were primarily financed by taxpayers.
By contrast, a bail-in forces the borrower's creditors to bear some of the burden by having part of the debt they are owed written off.
At the height of the financial crisis, governments avoided resorting to bail-ins out of concern that it might cause panic among the creditors of other banks; even the bondholders of Irish banks were initially spared.
But as time has passed, and the cost of government bail-outs has risen, the appeal of asking private-sector investors to take a hit has increased."
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
The Last Shadow Puppets - Bad Habits
Finalmente, o novo single.
#stillsinkingin
#notamazed
#expectingfurtherdevelopments
Maxime Büchi
"I am interested to re-appropriate and adapt traditional european iconography to tattooing. I grew up in an old country with a lot of medieval, renaissance and classic art all around me. It is my legacy and a lot of people identify to it. That’s my main inspiration."


Maxime Büchi, um dos artistas do Sang Bleu London Tattoo,
domingo, 10 de janeiro de 2016
Mondrian - Broadway Boogie Woogie
Quando se está anos sem pôr os pés (i.e. os olhos, dedos e cérebero) no blog, é imperativo dar uma vista de olhos no lixo (i.e. rascunhos de mensagens) para fazer uma limpeza da Páscoa à casa. Ora, encontrei muitas páginas em branco, tentativas em vão de quem quer comunicar mas não tem, verdadeiramente, nada a dizer. Razão pela qual notaram (?) a minha ausência por cá. E eis que me deparo com esta imagem guardada em setembro de 2012. Não sei porque não a publiquei, é certamente uma obra que não merece ficar esquecida nos meus rascunhos. Permitam-me que corrija a falta, agora.
Esta composição,que me faz pensar automaticamente num jogo de computador do antigamente, foi o último quadro que Mondrian completou. O título dá-nos uma boa pista do que passaria na cabeça do artista que com certeza passou uns belos serões na luminosa NYC ao som de ritmos energéticos e sincopados. Boogie wooging through life...
sábado, 9 de janeiro de 2016
Courtney Barnett - Pedestrian At Best
Não que seja a melhor letra desta jovem australiana, mas estas quase-rimas não me saem da cabeça.
Não se prendam por mim, ouçam Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit.
Bom para variar da hi(p)steria melosa do costume.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Priscilla com dois éles como Marcello Caetano
A menina Lurdinhas e o Tavares casaram no fim do ano, que foi quando lhe deram folga na camisaria, que a clientela não espera despida à espera que ele vá ali e já venha. Ela queria ter casado no dia de Natal, em honra ao menino Jesus, que cerimónia tão linda teria sido aquela, se ao menos me tivessem deixado. Mas o pároco não achou por bem competir com Cristo dessa forma, para além de que não é época para pôr grandes enfeites na igreja.
A casa dos pais da Lurdinhas é asseada mas não é lá muito grande portanto a boda foi coisa singela, a família de um, a família do outro e pouco mais. Para compensar, a Lua de Mel foi um fartote, começando os pombinhos por pernoitar no Buçaco, sabe que aquilo custa couro e cabelo mas é fino como eu nunca vi. Vista a Serra de uma ponta à outra rumaram à Batalha atrás de ver o Mosteiro. Ai mas é muito mais bonito que a nossa igreja matriz, pena ser Inverno que dizem que quando o Sol bate forte nos vitrais é que isto é encantador a sério. Mas olha vimos os jazigos daqueles reis todos, até lá estava o Infante Dom Henrique, há que séculos que Ceuta voltou para os mouros de que lhe valeu ralar-se? Antes de voltarem para cima passaram na Nazaré que a Lulu nunca tinha visto o mar, e ai tão grande que ele é. Nem ela havia viajado até tão longe nem o Fiat Seiscentos do meu sogro andado tantos quilómetros em tão pouco tempo. Mas portou-se bem, ah pois que há para aí muita máquina que não aguentaria tanto.
Não haveria de ser fácil para a jovem esposa cumprir o seu sonho de menina, ser mãe de outra menina ainda mais bonita e mais prendada. A certa altura já se julgava que era infértil, sequinha como um riacho em Agosto, e foi quando as regras lá tardaram a aparecer. E ela soube logo porque desde garota que era certinha como as horas (qual Kant!). Tal como soube logo que aí vinha uma menina porque a forma do ventre não engana e uma mulher sente estas coisas. Assim, nascida a bebé, dormia no seu regaço cansado das atribulações do parto, quando chegaram as visitas. E agora como lhe vais chamar? A tia do Tavares que viveu metade da vida na Suíça disse que Priscila é que está a dar lá fora. O avô disse que sim senhor, mas só se fosse Priscilla com dois éles como o Marcello Caetano, para que toda a gente saiba que não há comunistas em nossa casa e que somos gente de bem. A Lurdinhas estava a borrifar-se para o Marcello mas gostou da ideia porque com o éle a mais ficava ainda mais chique. Mas atenção, que ninguém mencione esta homenagem à prima-vizinha da frente, coitada, tem dois dos três filhos no Ultramar. Que matem os pretos todos e voltem rápido, sãos e salvos, meus ricos filhos!quarta-feira, 1 de julho de 2015
A certeza é o estado de ignorância de pior prognóstico
O conhecimento é o processo de descobrir as razões pelas quais a resposta correcta é (sempre) "mais ou menos".
Ou "depende".
Já vos escrevi sobre isto? Não estou certo. Escrevi isto há muitos meses num papel com o qual me cruzei hoje. Só a frase — o resto é reflexão de agora.
Quanto mais profundo é o conhecimento (em qualquer área) mais ele se aproxima do saber que nada é absoluto. Efectivamente quanto mais soubermos de uma matéria menos respostas taxativas podemos dar sobre ela. Porque não há verdades taxativas! Nem absolutas! Verdades absolutas são apenas sinónimo de conhecimento precário, insuficiente.
Isto é difícil e chato de explicar às pessoas. Porque no geral as pessoas querem precisamente uma resposta taxativa, simplista.
"Sim isto é mau." ; "Sim está correto." ; "Não, isto não faz bem." ; "Esta é a opção perfeita.".
Porque o mundo é mais fácil de lidar se for dividido em duas categorias, e o meio, o "depende", não é agradável. O depende passa a decisão para o nosso lado. E nós não gostamos de decisões — porque envolvem responsabilidade.
Na mesma folha tinha também escrito: Na perfeita harmonia, perfeita apatia.
Mas discordo.
E não vou falar sobre isso porque não tenho tempo.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Não sei desenhar barcos
— Não sei desenhar barcos!
— E que tem isso?
— Tem que acho que precisava de desenhar uns.
— Precisas desenhar barcos e nao sabes?
— Creio que seja mais o inverso. Não sei desenhar barcos, e agora que me apercebi disso sinto que precisava de saber.
— Que tipo de barcos?
— Naturalmente galeões, que são os que menos sei desenhar.
— Pois, foi essa necessidade que nos levou a conquistar os oceanos. A dominar os mares! E em boa verdade tudo o resto.
— A necessidade de desenhar barcos?
— Não, a necessidade de fazer o que não se consegue.
— E que tem isso?
— Tem que acho que precisava de desenhar uns.
— Precisas desenhar barcos e nao sabes?
— Creio que seja mais o inverso. Não sei desenhar barcos, e agora que me apercebi disso sinto que precisava de saber.
— Que tipo de barcos?
— Naturalmente galeões, que são os que menos sei desenhar.
— Pois, foi essa necessidade que nos levou a conquistar os oceanos. A dominar os mares! E em boa verdade tudo o resto.
— A necessidade de desenhar barcos?
— Não, a necessidade de fazer o que não se consegue.
Belíssima música deste filho da mãe cujo título me inspirou para este texto sobre a verdadeira razão de quase todos os feitos épicos.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Ratos de Museu
Já é antiga a rivalidade entre os ratos de biblioteca e de museu. Há mesmo racismo entre as duas facções (estive tentado a dizer raticismo e ia ser mau...).
Os ratos de biblioteca sempre se gabaram de viver na génese da cultura.
Os outros dizem que já havia pinturas rupestres antes dos livros.
Os primeiros respondem que os desenhos rupestres são apenas os antepassados das letras, um sistema de escrita primitivo. Bons tempos quando a palavra "cavalo" era composta por uma cabeça, quatro patas e um rabo.
Ignorantes! — dizem uns. Insensíveis! — retaliam de cima das estátuas os outros.
Imprecisos! — criticam do alto das estantes, dizendo que o seus métodos são os únicos confiáveis. Ditadores! — alegam no museu dizendo que não há liberdade nem espaço para a personalidade nas bibliotecas.
No museu os roedores consomem mais drogas mas apesar disso a taxa de mortalidade das populações é semelhante porque na biblioteca morrem mais de tédio, especialmente os ratos analfabetos claro está.
Dizem pela biblioteca que os livros são a cultura em estado casto, o conhecimento cristalizado no requinte mais sensual da sua pureza. Tão puro que, dizem eles, a leitura é o método mais fluido de transportar uma ideia, é mesmo a única forma de fazer ouvir-se uma ideia minha na tua cabeça, com a tua voz a pensar as palavras que eu escolhi. E é isso que eu te estou a fazer. A controlar-te a mente. A dizer as minhas palavras dentro da tua cabeça. Voltando aos ratos — já me exibi o suficiente.
No museu os ratos dizem que a arte (no museu os livros não são arte) é o conhecimento amaciado pela sensibilidade humana. Transversal à língua ou à literacia dizem. A brutalidade das ideias talhada para não ser indigesta. No museu uma lágrima chora-se, na biblioteca lê-se. E é esdrúxula!
É áspera a discordância entre os roedores.
Mas também, no fim de contas, o que percebem eles de cultura?
Já tentei dizer isto num desenho mas não consegui!
Os ratos de biblioteca sempre se gabaram de viver na génese da cultura.
Os outros dizem que já havia pinturas rupestres antes dos livros.
Os primeiros respondem que os desenhos rupestres são apenas os antepassados das letras, um sistema de escrita primitivo. Bons tempos quando a palavra "cavalo" era composta por uma cabeça, quatro patas e um rabo.
Ignorantes! — dizem uns. Insensíveis! — retaliam de cima das estátuas os outros.
Imprecisos! — criticam do alto das estantes, dizendo que o seus métodos são os únicos confiáveis. Ditadores! — alegam no museu dizendo que não há liberdade nem espaço para a personalidade nas bibliotecas.
No museu os roedores consomem mais drogas mas apesar disso a taxa de mortalidade das populações é semelhante porque na biblioteca morrem mais de tédio, especialmente os ratos analfabetos claro está.
Dizem pela biblioteca que os livros são a cultura em estado casto, o conhecimento cristalizado no requinte mais sensual da sua pureza. Tão puro que, dizem eles, a leitura é o método mais fluido de transportar uma ideia, é mesmo a única forma de fazer ouvir-se uma ideia minha na tua cabeça, com a tua voz a pensar as palavras que eu escolhi. E é isso que eu te estou a fazer. A controlar-te a mente. A dizer as minhas palavras dentro da tua cabeça. Voltando aos ratos — já me exibi o suficiente.
No museu os ratos dizem que a arte (no museu os livros não são arte) é o conhecimento amaciado pela sensibilidade humana. Transversal à língua ou à literacia dizem. A brutalidade das ideias talhada para não ser indigesta. No museu uma lágrima chora-se, na biblioteca lê-se. E é esdrúxula!
É áspera a discordância entre os roedores.
Mas também, no fim de contas, o que percebem eles de cultura?
Já tentei dizer isto num desenho mas não consegui!
A melhor conversa do mundo
Perguntei a Deus se ele existia.
Ele respondeu:
— Não, não existo.
Fez-se um silêncio constrangedor e ficou-se por aquilo. Não o tenho por mentiroso.
Claro que a melhor conversa do mundo teria de ser entre o homem e Deus.
A segunda melhor é entre dois golfinhos mas não a vou transcrever hoje.
P.S.: dois golfinhos tatuados.
Ele respondeu:
— Não, não existo.
Fez-se um silêncio constrangedor e ficou-se por aquilo. Não o tenho por mentiroso.
Claro que a melhor conversa do mundo teria de ser entre o homem e Deus.
A segunda melhor é entre dois golfinhos mas não a vou transcrever hoje.
P.S.: dois golfinhos tatuados.
Numa nádega.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Infelic idade
Escrevo para desencorajar uma estratégia ridícula.
Ser mais infeliz não é sinónimo de ser mais adulto.
Ser carrancudo também não.
A sério, partidários e praticantes dessa ideia, afianço-vos — não é!
Mas pensando bem talvez resulte, perante outros como vocês. Afinal de contas, se vocês acreditam que esse ar grave e aquele pesar postiço vos faz parecer mais maduros certamente é porque o interpretam assim nos outros.
Provavelmente as pessoas mais velhas até serão, em média, menos felizes. Porque tem mais responsabilidades e problemas, porque a vida é mais monótona, ou porque os seus olhos é que já lhe vêm pior os tons, porque os níveis de endorfinas no cérebro decrescem com a idade, porque está escrito nas estrelas, porque com a idade vêm as cataratas e já não dá para ver essas estrelas, porque é difícil ser feliz quando nos doem "as cruzes", eu não sei. Agora não é certamente por serem mais maduros. E muito menos por serem mais sábios.
É risível essa atitude.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Abrindo Abril
perfeita para ouvir a caminho de um lugar verde e calmo
neste início de mês ensolarado
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Noite de Carnaval
Esta é uma noite rara. Nesta noite, e só nesta noite, os super-heróis descem a uma condição mais frágil, mais humana. Estão vulneráveis ao ponto de facilmente se poder encontrar o incrível Hulk a chorar baba e ranho na urgência porque torceu um pé, ou o Super-Homem que não aguentou com tantos shots como pensava (aparentemente super-homem ≠ super-fígado). E mesmo o Wolverine regenera tão mais lentamente que chega a necessitar dos cuidados do nosso SNS.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Frozen heart (2)
Há uns meses escrevi aqui uma reflexão com o mesmo título deste post. É ela, em súmula ou por inteiro, uma só frase:
"O bom de não ter sentimentos é não se poder ficar triste por causa disso."
Na altura não acrescentei sequer uma imagem, por não me ocorrer nada que encaixasse devidamente.
Mas entretanto passei por um quadro de Dali perfeito para isso — O nascimento de uma divindade.
"O bom de não ter sentimentos é não se poder ficar triste por causa disso."
Na altura não acrescentei sequer uma imagem, por não me ocorrer nada que encaixasse devidamente.
Mas entretanto passei por um quadro de Dali perfeito para isso — O nascimento de uma divindade.
Não me vou pôr aqui a descrever extensamente o quadro, mas aquele coração rochoso a emergir de um lago gelado, o torpor daqueles olhos... Dor, angústia? não, muito para além disso já — só entorpecimento mesmo. O apagamento emocional da figura... parece feita de encomenda.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
A estupidez e o surrealismo
Num tabuleiro de xadrez algures na Índia, onde o pai do xadrez nasceu, está um puro-sangue lusitano à conversa com São Nicolau:
— Parece aborrecido... — comenta o equídeo como quem pergunta o que se passa.
— Nem vou estar aqui a contar-lhe toda a história, mas em resumo é isto: detesto gente estúpida! — reclama, desconcertado, o bispo com um barrete vermelho.
— Não despreze a estupidez — contrapõe o cavalo — que ela é o surrealismo dos pobres (pobres de espírito claro está)!
Entretanto, e sem os outros se aperceberem, passava um peão, partidário dos pobres de espírito, fazendo piruetas consecutivas, julgando-se, porventura, um pião.
Terá ouvido a conversa e gritou-lhes:
— E sabem o que é o surrealismo? — não esperou uma resposta — É a estupidez, só que cuspida da boca dos presunçosos! Só ganha o título quando lhe vão ver na etiqueta a origem!
Logo se gerou grande confusão entre São Nicolau e o peão, mas o burburinho não teve muito tempo de se espalhar. A rainha saiu dos seus aposentos e comeu prontamente o bispo. E restaurou-se o silêncio.
Claro que pelas vielas mais sombrias do tabuleiro se ouviam comentários de que o estado deveria ser laico e era um mau princípio aquele tipo de promiscuidade entre o clero e os governantes... mas há sempre más línguas.
Ao fundo, do outro lado do tabuleiro, do alto da sua perspicácia, dizia uma Torre que este texto tanto era uma auto-crítica como simultaneamente a sua defesa!
— Parece aborrecido... — comenta o equídeo como quem pergunta o que se passa.
— Nem vou estar aqui a contar-lhe toda a história, mas em resumo é isto: detesto gente estúpida! — reclama, desconcertado, o bispo com um barrete vermelho.
— Não despreze a estupidez — contrapõe o cavalo — que ela é o surrealismo dos pobres (pobres de espírito claro está)!
Entretanto, e sem os outros se aperceberem, passava um peão, partidário dos pobres de espírito, fazendo piruetas consecutivas, julgando-se, porventura, um pião.
Terá ouvido a conversa e gritou-lhes:
— E sabem o que é o surrealismo? — não esperou uma resposta — É a estupidez, só que cuspida da boca dos presunçosos! Só ganha o título quando lhe vão ver na etiqueta a origem!
Logo se gerou grande confusão entre São Nicolau e o peão, mas o burburinho não teve muito tempo de se espalhar. A rainha saiu dos seus aposentos e comeu prontamente o bispo. E restaurou-se o silêncio.
Claro que pelas vielas mais sombrias do tabuleiro se ouviam comentários de que o estado deveria ser laico e era um mau princípio aquele tipo de promiscuidade entre o clero e os governantes... mas há sempre más línguas.
Ao fundo, do outro lado do tabuleiro, do alto da sua perspicácia, dizia uma Torre que este texto tanto era uma auto-crítica como simultaneamente a sua defesa!
Subscrever:
Mensagens (Atom)












