Agora escrevo muito mais no computador do que
com o lápis (ou caneta, ou pena), não é porque goste mais de escrever no computador, porque não gosto, gosto mais de escrever à mão, o que eu gosto no computador é apagar, é por isso que escrevemos mais nesta máquina de escrever dos tempos modernos, porque no fundo o que todos adoramos é apagar. Gosto de escrever à mão e apagar
com o computador. Oxalá fossem conciliáveis: escrita
com a mão,
com o papel,
com o
backspace e
sem a borracha.
Por falar em mão, uma mão
com outra mão
com outro dono, por pensar em passear, passeios
com natureza, por falar em natureza, deitar na relva
sem preocupações, por falar em deitar, cama só
com um lençol fresco no verão, mas porque o verão não vai para novo, cama
com lençóis térmicos no inverno, melhor ainda, cama
com alguém que a aqueceu primeiro, por pensar em conchinha, sexo
com música, (por falar nisso, sexo
sem cama), por falar em música, jazz
com chuva, por falar em chuva, chuva
com sol, por pensar em arco-íris, planícies verdes
com lagoas, por falar em lagoas, peixes
sem aquário e por falar nisso, aves
sem gaiolas, por falar em animais, passeios
com cães, por falar nesses passeios, ruas
sem pastilhas elásticas (e também
sem os detritos dos cães), por falar no lixo, contentor dos indiferenciados
sem materiais recicláveis, por voltar às pastilhas elásticas, almoços fora
com uma pastilha elástica no fim, por falar em dentes, sumo de laranja natural
com palhinha, por falar em sumo, pizza
com coca-cola, por falar em pizza, fim de noitada
com pizza que sobrou do jantar (também se aplica à manhã seguinte), por falar em festa, festas
com álcool, por falar em festas
com álcool, festas
sem álcool demais, por falar em festas, festas
com boas conversas, por falar em boas conversas, temas
sem o tema trabalho, estudo ou futebol, por falar em falar, falar
com pensar, por falar nisso, opiniões
com cunho próprio, ideias
sem lugares-comuns, por falar em frases feitas: vou andando que se faz tarde!