Este é um post que equivale àquela conversa entre dois amigos ou um casal, após a resolução de um diferendo. Não que tenha havido qualquer periclitante discordância minha convosco, caros leitores, ou mesmo qualquer desagrado recalcado. Mas é certo que atravessámos um silêncio (que só não foi constrangedor porque já estamos tão mutuamente habituados), como aquele que se segue a uma desavença. Posto isto, cabe-me agora encarnar um papel clássico: vir sôfrega mas ternamente, transbordando de desejo já mal contido, tão fortemente exacerbado pela suposta anterior chatice, pegar-vos docemente nas mãos e partindo delas progredir geograficamente e conquistar com carícias todo o resto do corpo... Mas como a nossa relação é meramente virtual, e de cariz apenas intelectual, façam o contraponto desta imagem para o nosso contexto de referência — que sou eu como blogger pedir-vos desculpa por já não escrever aqui há muito tempo.
Cumpridas as formalidades da praxe passemos para o que interessa, que evidentemente neste caso será o que eu vos tenha a dizer. Ora e vamos aproveitar a temática e falar de reconciliações.
Engraçado que após uma briga/desavença haja uma intensificação positiva dos sentimentos. Curioso! Perante um erro, uma falha, após a sua correcção, não só se volta a atingir o patamar anterior, como ainda se supera este. E isto é uma característica exclusivas das relações. Nem na indústria, nem no desporto, nem na política nem na economia, nem em área alguma que me lembre, acontece algo semelhante. Após uma falha, a confiança nunca retoma ao nível prévio, porque se desconfia sempre de ser provável uma repetição da mesma. Mas talvez a questão seja mesmo essa, talvez essa intensidade dos afectos não traduza de facto uma maior confiança, talvez o contrário, talvez se exacerbem os sentimentos como forma de preencher e disfarçar essa lacuna na confiança. Explicações à parte, a existência do fenómeno é inegável, não é apenas mais um cliché infundado. O que eu reparo é que há pessoas, raparigas para ser preciso (não digo que não haja rapazes que o fazem, mas cinjo-me ao que observo) que parecem reconhecer isto como um recurso usável e procuram-no conscientemente. Pelo menos é a única explicação que eu encontro para a procura constante, insaciável (patológica?) por dramas relacionais. Farejam avidamente a mais insignificante situação para gerar um problema, um problema sério!, que terá de passar por todas as fases protocoladas de resolução de uma briga conjugal. O drama, a irredutibilidade, a aparente insolubilidade do problema, o afastamento e o silêncio, e por fim com todo o esplendor: a reconciliação! Esse pico, esse êxtase pós-depressão, esse sentimento de evolução desmedida desde a hora ou o dia anterior!
A minha única forma de entender isto, é que na impossibilidade de manterem uma relação basalmente interessante, motivante, boa o suficiente para ser considerada globalmente positiva, procuram gerar estas situações, esta instabilidade, este afundar mais um pouco aquilo que já é um afogamento crónico, para ganhar um bocadinho de impulso e ter mais uma breve golfada de oxigénio — mais uma reconciliação. Mais um pequeno momento intenso e saboroso para servir de memória positiva que se agarra e se revisita para ajudar a suportar mais uns tempos aquilo que em si já não faz grande sentido. Para parecer que ainda vale a pena. É triste... Mas se não for isto, alguém que me explique, é que vejo disto em tanto lado...
#desculpemlanaodizernadahatantotempo #voltei #continuoagostardevoces #istoetaoridiculo #entendaseestacritica(nãomerefiroàdotexto)
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segunda-feira, 10 de março de 2014
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Não Faltar À Palavra
O Compal de manga sabe a manga podre. Não é que não saiba ou não tenha manga, tem, só que é podre. Não induzem o consumidor em erro, só diz no rótulo "Compal Manga", não diz "Compal Manga que não está podre". Nisso louvo-os, porque não mentem. No sabor em si, não louvo tanto.
Todo o resto da gama de sumos da Compal (a parte que já provei) sabe a fruta ainda numa fase comestível, e por acaso gosto disso, combina melhor com a minha personalidade, mas hoje pedi um de manga e resolvi partilhar a experiência.
Todo o resto da gama de sumos da Compal (a parte que já provei) sabe a fruta ainda numa fase comestível, e por acaso gosto disso, combina melhor com a minha personalidade, mas hoje pedi um de manga e resolvi partilhar a experiência.
sábado, 14 de setembro de 2013
A aparente não relação
Em que é que saber tocar guitarra me pode ajudar no supermercado?
Não tendo moedas de 50 cêntimos ou 1 euro para tirar um carrinho, uma palheta faz as vezes do capital, e até melhor, porque pode ser tirada sem devolver o carro. Se é daqueles que acha que é abuso de poder, coação e trabalho forçado ter de arrumar o carrinho de supermercado para reaver a sua moeda, então aprenda a tocar guitarra.
Claro está, pode apenas arranjar uma palheta, mas não irá mantê-la diariamente na sua carteira com o prazer que faria se efectivamente pudesse tocar com ela. E se há coisa importante é o prazer com que põem coisas na carteira. Veja-se o exemplo paradigmático do dinheiro. Pode-se pôr muito dinheiro na carteira fruto de um trabalho que não é aquele que o realiza, um trabalho do qual não gosta. Vai tapando a frustração com aqueles edifícios europeus que vêm desenhados nas notas, mas não as mete com muito prazer na carteira, e como já disse isso é fulcral. Compra coisas com essas notas, mas é sempre agridoce, porque se por um lado o consumismo o distrai um pouco da sua insatisfação, por outro, quando paga e a sua carteira fica com mais espaço livre, lembra-se que vai ter que a encher de novo. E como? A fazer aquilo que não gosta - o seu trabalho!
Por isso aprenda a tocar guitarra, não compre apenas a palheta. Se não aprender, então em vez da palheta tenha sempre uma moeda de 50 cêntimos consigo, mas só se conseguiu essa moeda de uma forma que o faz feliz. Se não tem forma de obter essa moeda sem frustração, então volte ao início do algoritmo e aprenda a tocar guitarra, porque isso vai distraí-lo com mais qualidade do que comprar um rolex.
Se nada disto resultar passe a fazer as suas compras numa mercearia porque lá não há carrinhos de compras.
Não tendo moedas de 50 cêntimos ou 1 euro para tirar um carrinho, uma palheta faz as vezes do capital, e até melhor, porque pode ser tirada sem devolver o carro. Se é daqueles que acha que é abuso de poder, coação e trabalho forçado ter de arrumar o carrinho de supermercado para reaver a sua moeda, então aprenda a tocar guitarra.
Claro está, pode apenas arranjar uma palheta, mas não irá mantê-la diariamente na sua carteira com o prazer que faria se efectivamente pudesse tocar com ela. E se há coisa importante é o prazer com que põem coisas na carteira. Veja-se o exemplo paradigmático do dinheiro. Pode-se pôr muito dinheiro na carteira fruto de um trabalho que não é aquele que o realiza, um trabalho do qual não gosta. Vai tapando a frustração com aqueles edifícios europeus que vêm desenhados nas notas, mas não as mete com muito prazer na carteira, e como já disse isso é fulcral. Compra coisas com essas notas, mas é sempre agridoce, porque se por um lado o consumismo o distrai um pouco da sua insatisfação, por outro, quando paga e a sua carteira fica com mais espaço livre, lembra-se que vai ter que a encher de novo. E como? A fazer aquilo que não gosta - o seu trabalho!
Por isso aprenda a tocar guitarra, não compre apenas a palheta. Se não aprender, então em vez da palheta tenha sempre uma moeda de 50 cêntimos consigo, mas só se conseguiu essa moeda de uma forma que o faz feliz. Se não tem forma de obter essa moeda sem frustração, então volte ao início do algoritmo e aprenda a tocar guitarra, porque isso vai distraí-lo com mais qualidade do que comprar um rolex.
Se nada disto resultar passe a fazer as suas compras numa mercearia porque lá não há carrinhos de compras.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Promessas e Inícios - VOLTÁMOS!
Promessas são o provável início para desilusões! Nem falemos nas políticas, podemos mesmo ficar pelas nossas promessas do dia a dia, os nossos compromissos. Comprometer é um acto perigoso, mesmo que a intenção seja a mais pura, mesmo que na altura de firmar o contrato a vontade de cumprir seja a mais vincada. Acontece que só o facto de dever já ameaça o querer. E isto é exponencial com o tempo. A obrigação (mesmo a voluntária) mata a vontade, e uma vez a vontade perdida está o caldo entornado. E eu pergunto-me sempre se este caldo é caldo verde.
Ora nós, Déjeuner sur L'Herbe, comprometemo-nos a voltar no início de Junho, e esse é que foi o mal. O mal foi instituir a obrigação. E não há área em que a obrigação mais mate do que na área criativa. Se eu for obrigado a lavar vinte pratos, lavo, e lavo até mais rápido do que se não for obrigado. Agora se eu for obrigado a escrever três poemas a história será bem diferente... Aqui foi isso que se passou.
Por isso volto a dizer o que já vimos: promessas são o provável início para desilusões.
Mas e o início o que é? O início é uma subdivisão do todo. A primeira delas. Há coisas que têm início, meio e fim, como as redacções da primária, três paragrafozinhos. Há outras coisas que têm mais divisões. Mas para existir um início só são estritamente necessárias duas partes, sendo a segunda o fim. Então dividamos o nosso todo — o mês de Junho — não num início, meio e fim mas apenas nas requeridas duas partes. Eis que vemos que 12, o dia de hoje, figura na primeira metade, isto é, no início, segundo esta definição!
E assim, apesar de tudo, não vos desiludi! Mas a que custo argumentativo... Portanto, moral da história: sempre que possível evitem compromissos que não são necessários, pelo risco inocente de não os honrarem!
P.S.: A outra área em que a obrigação mata tanto como na criatividade são as relações. Não quero com isto arar nenhuma terra para o meu conselho anterior adubar, mas claro está, cada um vê e pensa por si.
sábado, 22 de setembro de 2012
Damage Control
Ontem tive alguns problemas técnicos com o Gmail e acabei por ser expulsa do Blogger. O Google anda a discriminar pessoas com endereços electrónicos do Hotmail. Existe discriminação no mundo virtual. Aparentemente, o meu bloguezinho revoltou-se contra tal injustiça e fez desaparecer uma série de imagens, nomeadamente, a imagem do cabeçalho. Por toda esta confusão, peço que me desculpem.
Já está tudo resolvido.
Já está tudo resolvido.
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