Perdidos por entre as ervas.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Zheng Yiqiang
Continua a cintilar, seu diamante doido.
Aurora 2
Acrylic on canvas
55 1/10 × 70 9/10 in
140 × 180 cm
Aurora 3
Acrylic on canvas
59 1/10 × 74 4/5 in
150 × 190 cm
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
And I Always Sleep With My Guns When You're Gone
#ongoingmeltdownseries
There's a shark in the pool
And a witch in the tree
A crazy old neighbor and he's been watching me
And there's footsteps loud and strong coming down the hall
There's a shark in the pool
And a witch in the tree
A crazy old neighbor and he's been watching me
And there's footsteps loud and strong coming down the hall
Este Estado de Modorra Só Pode Culminar em Hecatombe
Senhora Dona Cândida saltou os bons dias essenciais para não interromper as suas lamentações que haviam começado ainda antes de ter transposto a porta. A Senhora Dona Cândida não tem uma alegria na vida há uma ou duas décadas, assim à vontade, sem exagerar. O senhorio teima em querer despejá-la, custe o que custar, da casa onde vive desde sempre. Onde foi tão feliz com o marido, tão bom homem, que Deus o tenha. Para construir mais umas quantas lojas e mais uma residencial ou lá como lhe chamam agora.Um hostel, Dona Cândida.
Agora, com a minha idade querem pôr-me na rua, e vou para onde, quem me diz? Nunca lhe faltei com a renda, não tem razão de queixa de mim. A minha tensão disparou, anda nos píncaros, ele há-de matar-me antes de mais nada. Primeiro, disse-me que me mudasse para uma casa para senhoras da minha idade, em Queluz, imagine! Diz que trata de tudo e lá estarei bem melhor, com gente que olhe por mim. Que todas as tardes nos sentam a pintar florzinhas e vemos filmes do Vasco Santana, aos domingos, intercalados com a ginástica. Alguma vez! Um dia também há-de ser velho e estimo que o tratem da mesma maneira. Disse-lhe isto, assim, na cara. Ele riu-se. Mas eu teimei que não ia para um mortuário.
Agora, lembrou-se de me juntar a um velho, mais velho que eu, acabado, quase defunto, que mora onde Judas perdeu as botas - um largo mimoso, diz ele. Uma mulher decente obrigada a ouvir estes impropérios. Ai que a Dona Cândida vive tão sozinha, estava tão melhor com alguma companhia, a casa é bem jeitosa, grande, com três quartos airosos. Não pense que têm de dormir na mesma cama. Nada disso, o senhor só quer alguma companhia, nestes últimos dias. A pensão dele também não é miserável. E piscou-me o olho.
Já viu a minha desgraça, desrespeitada com esta minha idade.
Não sei quanto tempo mais a velhota se demorou a enunciar desgraças aos meus ouvidos gastos, mas eles desconectaram-se da minha atenção e os meus olhos desfocaram, concentrada no meu sofrimento, num plano para escapar dali. Prestes a rebentar, deliro com a imagem de mim própria a injuriar cada um deles, tão alto quanto a capacidade dos meus pulmões, ligeiramente asmáticos, permite e tão esganiçada quanto a minha garganta aguenta. Não haveria de escapar nenhum daqueles velhos lentos, desconfiados, chatos, incapazes de se fazerem entender e de me ouvir. Não pouparia uma dessas donas de casa desesperadas, desaustinadas, atordoadas porque o filho, obeso desde os três anos de idade, está prestes a sair de casa, porque o marido não a vê desde a altura em que o menino ainda era magrinho, porque as irmãs é que estão bem e porque as amigas cada vez lhe telefonam menos. E esses parasitas, agarrados, com demasiado tempo livre, com todo o tempo livre, que me vêm aqui exigir atenção, a cheirar mal, dentes podres, e reclamam da vida, da conjuntura, do diabo a quatro, como se eu quisesse saber.
Gritar-lhes que vão à bugiar, insultá-los um a um, depois em conjunto, num espetáculo tão ultrajante que não permita regresso, nem redenção. Sem culpa. A minha vergonha esfumada, tal como a minha compaixão se esfumou, por aí, num destes dias.
E fechar a maldirporta, exagerada, teatral, tragicamente, com toda a força que eu não tenho, agitando os alicerces e ameaçando os vidros, em jeito de despedida.
domingo, 11 de setembro de 2016
sábado, 10 de setembro de 2016
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
*Onomatopeia de Meditação*
Quatro ou cinco minutos de Tool sabem sempre a poucochinho.
Manda o Lúcifer Pastar Camelos
![]() |
| Arcanjo Miguel de Guido Reni, 1636 |
A tentar ser a melhor versão possível.
A tentar ser a melhor versão possível.
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A tentar ser a melhor versão possível.
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domingo, 4 de setembro de 2016
Cidadãos de Segunda Classe
Em Portugal?
As mulheres recebem, em média, menos 9200 euros/ano do que os homens.
Nos países da UE, os homens recebem, em média, mais 16%
do que as mulheres com funções iguais.
sábado, 3 de setembro de 2016
Pó de Estrelas
Não precisas de te apresentar, nunca nos cruzamos, verdade, mas tenho-te visto nas mais diversas ocasiões, em várias pessoas. Arriscaria dizer que também já me tens encontrado por aí, dispersa noutros. Um braço, um lobo occipital, uma língua... Desconfio que, feitas as contas, somos meia dúzia de indivíduos, consciências, meia dúzia de caráteres e linhas de pensamento. São os mesmos átomos que cá andam há nem consigo abranger quantos anos. A tabela nem tem assim tantos elementos e acabamos por resvalar nas mesmas ruelas, trautear as mesmas cantigas e mastigar os velhos adágios, crentes que nunca antes alguém o fez tão bem, tão lúcido do que ressoava.
A angústia que malogradamente encobres não é uma edição limitada, é pandémica e pandemicamente varrida para debaixo de tapetes de cozinha. Louvado ónus de sermos tão extraordinários, bendito o sofrimento de viver em busca de testemunhas da nossa ventura. Inconcebível a felicidade de luz apagada. Ninguém a está a ver. Que desperdício. Mas e se não fosse, imagina só, a felicidade intrínseca, independente de comprovação. Livres da sofreguidão de nos provarmos especiais, chegaríamos mais longe, tropeçaríamos mais, mas mais alto, tomados por uma inebriante sensação de liberdade, a de sermos somente cada um de nós e, então, talvez começássemos a sentirmo-nos especiais. Por hoje, continuamos numa tentativa de inovação falhada.
Explicar que valemos a pena - oh!, como é que não é óbvio que valemos tanto a pena - inglória missão. A minha audiência não está atenta, todos virados de costas, com o queixo a pesar sobre o umbigo. O seu próprio umbigo. Porque não tombam para o meu? Eu continuo aqui parada na ânsia que me descubram, um diamante em bruto. Tão subvalorizada. Sempre mais bonita dentro de casa e ninguém está cá para ver. O desgosto de ser irresistível à hora de dormir, e ninguém o saber. Tentei contar-lhes, desenhei desenhos, tracei fluxogramas, com legendas, ao lado, para explicitar, tentei usar palavras diferentes, mais simples, mais fáceis de entender. Mas ninguém acredita.
A liberdade de não ser mais ninguém, para mais ninguém.
Pode ser mais devagar? Preciso de mais de dez minutos para te compreender.
domingo, 21 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
terça-feira, 2 de agosto de 2016
The Walrus And The Carpenter
Este poema de Lewis Carroll, certamente dá que pensar.
Mas, se nos debruçar-mos sobre uma análise moral, correremos o risco de ter a mesma sorte de Alice?
"I like the Walrus best," said Alice, "because you see he was a little sorry for the poor oysters."
"He ate more than the Carpenter, though," said Tweedledee. "You see he held his handkerchief in front, so that the Carpenter couldn't count how many he took: contrariwise."
"That was mean!" Alice said indignantly. "Then I like the Carpenter best—if he didn't eat so many as the Walrus."
"But he ate as many as he could get," said Tweedledum. This was a puzzler.
After a pause, Alice began, "Well! They were both very unpleasant characters."
— Lewis Carrol in Through the Looking-Glass
"He ate more than the Carpenter, though," said Tweedledee. "You see he held his handkerchief in front, so that the Carpenter couldn't count how many he took: contrariwise."
"That was mean!" Alice said indignantly. "Then I like the Carpenter best—if he didn't eat so many as the Walrus."
"But he ate as many as he could get," said Tweedledum. This was a puzzler.
After a pause, Alice began, "Well! They were both very unpleasant characters."
— Lewis Carrol in Through the Looking-Glass
A Disney nunca poupou as crianças às agruras do mundo lá fora.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Shake the Disease
É uma pergunta que me assalta com frequência, e nada. Nada, nada além de incredulidade. Então por que raio quero saber. Acho que nunca consegui responder, mas a verdade é que ainda não parei. E tu aborreces-me tanto, quase desde o início, logo após a primeira vista. Devo ter achado que ainda não via suficientemente longe, culpado a minha incapacidade de compreender a outro nível.
Ou então, é aquela coisa do costume em mim. Mecanismo condenável, que ainda, apesar de tudo, não consegui alienar. Há fases. Mas ainda tenho essa mania irritante de querer agradar. Cegamente e sem qualquer critério, ainda pior do que querer agradar a quem me agrada.
Nunca consigo responder, talvez seja preguiça de mudar a rotina. Talvez o problema tenha sido começar. Aconteceu, por acaso, e continuou, indefinidamente. Como sempre. Como tudo até agora. Um dia vou aprender a ser exigente, a reavaliar, e a tomar decisões. Não deixar correr sem manutenção. Sem manutenção, sem atualização, a obsolescência torna-se inevitável.
E um dia vou dar ouvidos ao meu instinto, que um dia destes corta relações comigo. Com razão. Deixo sempre que outros me conduzam, tanto me faz, não sou esquisita e, no fundo, também não sou grande especialista em viver. Escolhe tu, eu não sei nem quero ter a responsabilidade de ter optado. Seguimos como entenderes melhor, desde que estejas confortável.
Tanto esforço e enfado, em tantos meses não tivemos uma única conversa interessante, só as tuas intervenções invariáveis e as minhas buscas pela resposta correta. A resposta que desbloqueia. Não existe, não passas disso, plano e estanque. Considerando o histórico não denoto qualquer modulação, ao longo dos muitos dias que já correram. De tanto estar na mesma posição, o meu cérebro adormeceu. Acho que agora está a começar o formigueiro, tão incomodativo. Se ao menos conseguisse massajar o lobo esquerdo. Assim, ali mais atrás.
Nunca te vi rir. Não és pessoa de chorar. És exatamente como, numa bela manhã, decidiste que ias ser. O teu sorriso é exatamente o mesmo do Verão passado.
O meu também.
Foda-se! Eu gosto tanto de rir.
Uma Nostalgia Não Se Sabe Bem de Quê
Os Blues, aquele encanto inefável que atrai e nos deixa a estalar os dedinhos e a bater o pé. Shakin' that thin'...
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