domingo, 4 de setembro de 2016

Cidadãos de Segunda Classe



Em Portugal? 
As mulheres recebem, em média, menos 9200 euros/ano do que os homens.

Nos países da UE, os homens recebem, em média, mais 16% 
do que as mulheres com funções iguais

sábado, 3 de setembro de 2016

The Train That Crashed My Heart

Pó de Estrelas

Não precisas de te apresentar, nunca nos cruzamos, verdade, mas tenho-te visto nas mais diversas ocasiões, em várias pessoas. Arriscaria dizer que também já me tens encontrado por aí, dispersa noutros. Um braço, um lobo occipital, uma língua... Desconfio que, feitas as contas, somos meia dúzia de indivíduos, consciências, meia dúzia de caráteres e linhas de pensamento. São os mesmos átomos que cá andam há nem consigo abranger quantos anos. A tabela nem tem assim tantos elementos e acabamos por resvalar nas mesmas ruelas, trautear as mesmas cantigas e mastigar os velhos adágios, crentes que nunca antes alguém o fez tão bem, tão lúcido do que ressoava.
A angústia que malogradamente encobres não é uma edição limitada, é pandémica e pandemicamente varrida para debaixo de tapetes de cozinha. Louvado ónus de sermos tão extraordinários, bendito o sofrimento de viver em busca de testemunhas da nossa ventura. Inconcebível a felicidade de luz apagada. Ninguém a está a ver. Que desperdício. Mas e se não fosse, imagina só, a felicidade intrínseca, independente de comprovação. Livres da sofreguidão de nos provarmos especiais, chegaríamos mais longe, tropeçaríamos mais, mas mais alto, tomados por uma inebriante sensação de liberdade, a de sermos somente cada um de nós e, então, talvez começássemos a sentirmo-nos especiais. Por hoje, continuamos numa tentativa de inovação falhada.
Explicar que valemos a pena - oh!, como é que não é óbvio que valemos tanto a pena - inglória missão. A minha audiência não está atenta, todos virados de costas, com o queixo a pesar sobre o umbigo. O seu próprio umbigo. Porque não tombam para o meu? Eu continuo aqui parada na ânsia que me descubram, um diamante em bruto. Tão subvalorizada. Sempre mais bonita dentro de casa e ninguém está cá para ver. O desgosto de ser irresistível à hora de dormir, e ninguém o saber. Tentei contar-lhes, desenhei desenhos, tracei fluxogramas, com legendas, ao lado, para explicitar, tentei usar palavras diferentes, mais simples, mais fáceis de entender. Mas ninguém acredita.
A liberdade de não ser mais ninguém, para mais ninguém.
Pode ser mais devagar? Preciso de mais de dez minutos para te compreender.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

The Walrus And The Carpenter


Este poema de Lewis Carroll, certamente dá que pensar.
Mas, se nos debruçar-mos sobre uma análise moral, correremos o risco de ter a mesma sorte de Alice?

"I like the Walrus best," said Alice, "because you see he was a little sorry for the poor oysters."

"He ate more than the Carpenter, though," said Tweedledee. "You see he held his handkerchief in front, so that the Carpenter couldn't count how many he took: contrariwise."


"That was mean!" Alice said indignantly. "Then I like the Carpenter best—if he didn't eat so many as the Walrus."

"But he ate as many as he could get," said Tweedledum. This was a puzzler. 

After a pause, Alice began, "Well! They were both very unpleasant characters."

—  Lewis Carrol in Through the Looking-Glass

A Disney nunca poupou as crianças às agruras do mundo lá fora.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Shake the Disease

É uma pergunta que me assalta com frequência, e nada. Nada, nada além de incredulidade. Então por que raio quero saber. Acho que nunca consegui responder, mas a verdade é que ainda não parei. E tu aborreces-me tanto, quase desde o início, logo após a primeira vista. Devo ter achado que ainda não via suficientemente longe, culpado a minha incapacidade de compreender a outro nível. 
Ou então, é aquela coisa do costume em mim. Mecanismo condenável, que ainda, apesar de tudo, não consegui alienar. Há fases. Mas ainda tenho essa mania irritante de querer agradar. Cegamente e sem qualquer critério, ainda pior do que querer agradar a quem me agrada. 
Nunca consigo responder, talvez seja preguiça de mudar a rotina. Talvez o problema tenha sido começar. Aconteceu, por acaso, e continuou, indefinidamente. Como sempre. Como tudo até agora. Um dia vou aprender a ser exigente, a reavaliar, e a tomar decisões. Não deixar correr sem manutenção. Sem manutenção, sem atualização, a obsolescência torna-se inevitável. 
E um dia vou dar ouvidos ao meu instinto, que um dia destes corta relações comigo. Com razão. Deixo sempre que outros me conduzam, tanto me faz, não sou esquisita e, no fundo, também não sou grande especialista em viver. Escolhe tu, eu não sei nem quero ter a responsabilidade de ter optado. Seguimos como entenderes melhor, desde que estejas confortável. 
Tanto esforço e enfado, em tantos meses não tivemos uma única conversa interessante, só as tuas intervenções invariáveis e as minhas buscas pela resposta correta. A resposta que desbloqueia. Não existe, não passas disso, plano e estanque. Considerando o histórico não denoto qualquer modulação, ao longo dos muitos dias que já correram. De tanto estar na mesma posição, o meu cérebro adormeceu. Acho que agora está a começar o formigueiro, tão incomodativo. Se ao menos conseguisse massajar o lobo esquerdo. Assim, ali mais atrás. 
Nunca te vi rir. Não és pessoa de chorar. És exatamente como, numa bela manhã, decidiste que ias ser. O teu sorriso é exatamente o mesmo do Verão passado. 

O meu também. 

Foda-se! Eu gosto tanto de rir.


Uma Nostalgia Não Se Sabe Bem de Quê


Os Blues, aquele encanto inefável que atrai e nos deixa a estalar os dedinhos e a bater o pé. Shakin' that thin'...

terça-feira, 26 de julho de 2016

Cookies


Hoje, em vez de "entender" os cookies, quis "saber mais" sobre os cookies, que todos os dias se atravessam no meu caminho. Sempre fui muito curiosa, questiono-me sobre as coisas e tal, não ando por aí a papar tudo o que me vendem. 

Fiquei convencida ao fim do primeiro parágrafo, quando a Google assegura que os cookies desempenham um papel importante. Sem eles, utilizar a Web seria uma experiência muito mais frustrante. Pronto, minha amiga, estamos conversadas. 

A Propósito



Um bom exemplar dos U2.
Se nos alhearmos da presença narcisista intermitente do Bono, o vídeo até é giro. 
Tem água e beijinhos aquosos e, céus!, que noite quente esta. 

Pronto, Hoje Durmo Na Banheira

É mais fresco e uma mosca que engoliu outra mosca, que engoliu um sapo, invadiu o meu quarto.


Mais ou menos assim. 
Menos o tabaco, claro, com este calor não dá. 
Se bem que se eu fumasse com esta pinta... Era menina para aguentar a asma.

domingo, 24 de julho de 2016

Single-serving friend

A travessia pelo deserto adivinhava-se longa. E tudo era areia. Escaldante. Inóspito. Adivinhava-se eterno. Escalando, pessimismo acima, tolda-se o juízo à medida que o oxigénio se rarefaz. 
À minha volta era areia, a perder de vista.  A minha impaciência desorientada fez-me embrenhar mais e mais, emaranhar mais e mais, acho que até sei, mais ou menos, como cheguei aqui, mas não sei regressar. 
Insciente do meu desânimo, limitaste-te a ser diante de mim. Ias dizendo aquilo que dizes, como dizes, agindo como ages. E não fizeste nada de extraordinário, nada que não costumasses fazer todos os teus dias. Os teus dias extraordinários, sobrepuseram-se a algumas das minhas horas ordinárias e inférteis. 
Devo ter-te dito uma vez ou outra o quanto gosto de conversar contigo. Conversas sempre desequilibradas, resumindo-se a minha participação a um chorrilho de questões sequiosas. Mas sabes, não é fácil encontrar alguém que tenha tanto para responder, não categoricamente, não intransigentemente, é só a minha opinião menina, tu vais e lês mais sobre o assunto... A tua opinião ponderada de quem sabe que nunca se sabe tudo, gigante perante a minha certeza de não saber nada. Conhecer-te foi suficiente para me inspirar, a nada em concreto, só a viver inspirada. A respirar com maior frequência. 
Já não te vejo há um ano, provavelmente não volto a ter o privilégio, mas, já ultrapassado o deserto, todos os dias me lembro de ti. Espero que esteja tudo bem. 
  

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Vai e Anuncia




Porque a História é cíclica, será sempre necessário parar e refletir sobre tudo o que já aconteceu até aqui. Tal como a História, a Política não pode ser feita de cabeça quente, uma cabeça que lateja com raiva, medo e preconceitos não tem capacidade para tomar decisões conscientes. A intolerância nunca gerou nada de bom. 
Os americanos até mereciam que ganhasse o Trump! Os americanos não são especialmente burros nem especialmente maus. Pelo contrário, é uma terra onde muita coisa boa acontece, todos os dias. No meu país, de onde partem tantos emigrantes, não vejo assim tão boa vontade para com os imigrantes. E também não vejo assim tanta lucidez em relação à Política. A minha cidade foi dirigida durante duas décadas por um homenzinho incompetente (excepto no que toca a campanhas e ganhar eleições), prepotente e corrupto. Mesmo quando se percebeu que até criminoso era, a popularidade manteve-se. E, tal como Trump, ele nunca se esforçou muito para disfarçar a sua índole. Os meus conterrâneos são tão espantosamente fáceis de convencer, mais eletrodoméstico, menos eletrodoméstico. O que não é de espantar, se virmos bem, o discernimento dos marcoenses é proporcional ao tamanho do espólio da biblioteca e do museu municipal: lamentavelmente escasso. Quando o Trump  perder nos EUA, digam-lhe para concorrer à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, ganha tranquilamente. Sem sequer precisar de pavonear a sua bela esposa, importada da antiga Jugoslávia.
No meu pedacinho de terra somos sempre mais bonitos e melhores do que do outro lado da estrada. Vou reforçar a minha cerca porque o projeto de vida do meu vizinho da frente é, claramente, vir-me para aqui destruir o jardim. É a única coisa que ele sabe fazer, destruir jardins.
Aquela passagem bíblica sobre atirar a primeira pedra ecoa até hoje, a ignorância aliada a uma urgente prontidão para atirar pedras é a melhor construtora de muros e o mecanismo é sempre o mesmo, seja no meu bairro, seja a nível global.