Acredita se lhe disser que plantou uma arca vitoriana mesmo ali no meio do salão. Não acha que é mesmo de quem não sabe o que fazer ao mobiliário. Se já não tinha espaço, guardava nos arrumos. Ou, se queria preencher o espaço, para não dar um ar assim tão despido à divisão, punha um confident ou um pianinho de cauda e até lhe punha em cima uma jarra da Vista Alegre Atlantis. Quem diz uma jarra diz outra peça como aqueles anjinhos com asas em biscuit sentado da edição especial, que fizeram agora para o Natal. São engraçadíssimos. Em cristal, por tudo o que é mais sagrado, em cristal, não me andem a pôr vidro. A piroseira, como umas e outras, a encher o bar com frascos e garrafas de vidro, é uma falta de estima pelo uísque malte de 20 anos. Fizesse eu tal, o Álvaro não me perdoava. É que podia esquecer a minha gargantilha nova pelo aniversário. É um querido, adora-me de morte, mas há faltas que não tolera. E é uma questão de bom senso, já se sabe que no vidro o sabor nunca é o mesmo. Mas atenção que a moda já não é o que era, a rolha diamantada, giríssima que ela é, já não se vê. Agora é tudo muito mais assim para o minimalista, sem exagero na lapidação de base e a rolha, se tiver, é um detalhezinho muito singelo. Ainda que a sua casa seja clássica, tome atenção, a menina não quer passar-se pela pindérica de Odivelas que chegou anteontem à Linha. E não deixa de ser uma delicadeza que faz à criada, a pobre criatura vai agradecer-lhe horrores por ter menos reentrâncias na hora de limpar o pó.
sábado, 23 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Não És Tu, Sou Eu
Eu estou a ouvir-te, vou só num instante lá fora, mas estou a ouvir-te. Ora essa, não pares, não interrompas o teu raciocínio, faz de conta que nem me levantei, continua imperturbável. Faz de conta que nem reparaste que não estou, que me mantenho à tua frente a olhar-te, fixamente, ora nos olhos, ora no nariz, sorrindo em anuência, a uma frequência razoável. Não me agradeças, eu sempre gostei de concordar. E eu tampouco te posso ser útil neste diálogo unilateral. Nem vais reparar que não estou, mantém a palestra ininterrupta, não faças caso de mim.
Por favor, vou só lá fora respirar, mas estou a ouvir tudo. Quando voltar, podes continuar a fazer de conta que não reparaste que estou. Antes de me levantar, deixa-me só agradecer-te por esta minuciosa autobiografia que me proporcionas, verdadeiramente envolvente. Não imagino melhor forma de passar o serão, com franqueza, a minha vida nunca mais será a mesma. Por favor, continua que ouço cada palavra, avidamente.
Já volto. Não, não, continua a falar como se cá estivesse, não faz diferença porque não há nada que eu possa acrescentar que interesse. E, lembra-te, ainda que surja oportunidade para eu abrir a minha boca, nunca caias no erro de me dar a palavra. Vais arrepender-te, sou tão enfadonha como desconfias. Nada que valha a pena roubar tempo de antena à tua daily routine, tão eximiamente estruturada, tão bem adjectivada. E eu estou aqui para isso, para testemunhar a tua grandeza. Obrigada! Por me deixares ser figurante na tua vida, caso contrário correria o risco de ser protagonista na minha.
Vou só lá fora ver se fujo. Continua.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Shye Ben Tzur, Jonny Greenwood, and The Rajasthan Express - Roked
Vamos lá animar esta semana macilenta com um bocadinho de calor vindo das Índias. Um bocadinho de paixão ou Junun que é, aliás, o nome do álbum. Ahah, sou danada para os trocadilhos...
Jonny Greenwood, o guitarrista dos Radiohead, juntou-se ao músico/compositor israelita Ben Tzur e aos The Rajashtan Express e o resultado foi mais que interessante. Melhor do que isso, o realizador Paul Thomas Anderson documentou toda a experiência das gravações - que aconteceram num forte nas colinas de Rajastão, cedido por Sua Alteza, o marajá de Jodhpur, para o projeto - numa curta metragem.
E pronto, também vos deixo o trailer, já agora.
E muita força na vossa nobre luta, metade da semana já passou, agora é fechar os olhos, respirar fundo, e em piloto automático até sexta.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Pot Head
Vicks? Tenha lá paciência! Como o meu pai lida com o nariz entupido depois de uma rinoplastia, claramente, ineficaz.
"Parece impossível que uma farmacêutica se espante com isto!" É verdade, estamos perante otorrinolaringologia de ponta.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Bail-out/Bail-in
Entrou em efeito a diretiva europeia que protege os contribuintes de serem os primeiros a pagar pela falência de um banco. Na linha da frente passam a estar acionistas e credores.
"The directive establishes a bail-in system which will ensure that taxpayers will be last in the line to pay the bills of a struggling bank. In a bail-in, creditors, according to a pre-defined hierarchy, forfeit some or all of their holdings to keep the bank alive. The bail-in system will apply from 1 January 2016.
The bail-in tool set out in the directive would require shareholders and bond holders to take the first big hits. Unsecured depositors (over €100,000) would be affected last, in many cases even after the bank-financed resolution fund and the national deposit guarantee fund in the country where it is located have stepped in to help stabilise the bank. Smaller depositors would in any case be explicitly excluded from any bail-in.
To improve a struggling bank’s recovery prospects and foster general economic stability, bail-ins would apply at least until 8% of its total assets have been lost. In most cases, this would mean shareholders and many bondholders would be wiped out. Above this threshold, the resolution authority may allow the bank to access resolution fund money up to a maximum of 5% of the bank's assets.
A member state could lodge a request with the Commission to exempt certain creditors from bail-in on an exceptional and case by case basis. The Commission would have the right to object. Moreover such exemptions would still mean that the bank would need to find 8% of its assets to bail-in before it could hope to tap other funds."
Bail-in vs. Bail-out
"Bail-out is when outside investors rescue a borrower by injecting money to help service a debt. Bail-outs of failing banks in Greece, Portugal and Iceland were primarily financed by taxpayers.
By contrast, a bail-in forces the borrower's creditors to bear some of the burden by having part of the debt they are owed written off.
At the height of the financial crisis, governments avoided resorting to bail-ins out of concern that it might cause panic among the creditors of other banks; even the bondholders of Irish banks were initially spared.
But as time has passed, and the cost of government bail-outs has risen, the appeal of asking private-sector investors to take a hit has increased."
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
The Last Shadow Puppets - Bad Habits
Finalmente, o novo single.
#stillsinkingin
#notamazed
#expectingfurtherdevelopments
Maxime Büchi
"I am interested to re-appropriate and adapt traditional european iconography to tattooing. I grew up in an old country with a lot of medieval, renaissance and classic art all around me. It is my legacy and a lot of people identify to it. That’s my main inspiration."


Maxime Büchi, um dos artistas do Sang Bleu London Tattoo,
domingo, 10 de janeiro de 2016
Mondrian - Broadway Boogie Woogie
Quando se está anos sem pôr os pés (i.e. os olhos, dedos e cérebero) no blog, é imperativo dar uma vista de olhos no lixo (i.e. rascunhos de mensagens) para fazer uma limpeza da Páscoa à casa. Ora, encontrei muitas páginas em branco, tentativas em vão de quem quer comunicar mas não tem, verdadeiramente, nada a dizer. Razão pela qual notaram (?) a minha ausência por cá. E eis que me deparo com esta imagem guardada em setembro de 2012. Não sei porque não a publiquei, é certamente uma obra que não merece ficar esquecida nos meus rascunhos. Permitam-me que corrija a falta, agora.
Esta composição,que me faz pensar automaticamente num jogo de computador do antigamente, foi o último quadro que Mondrian completou. O título dá-nos uma boa pista do que passaria na cabeça do artista que com certeza passou uns belos serões na luminosa NYC ao som de ritmos energéticos e sincopados. Boogie wooging through life...
sábado, 9 de janeiro de 2016
Courtney Barnett - Pedestrian At Best
Não que seja a melhor letra desta jovem australiana, mas estas quase-rimas não me saem da cabeça.
Não se prendam por mim, ouçam Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit.
Bom para variar da hi(p)steria melosa do costume.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Priscilla com dois éles como Marcello Caetano
A menina Lurdinhas e o Tavares casaram no fim do ano, que foi quando lhe deram folga na camisaria, que a clientela não espera despida à espera que ele vá ali e já venha. Ela queria ter casado no dia de Natal, em honra ao menino Jesus, que cerimónia tão linda teria sido aquela, se ao menos me tivessem deixado. Mas o pároco não achou por bem competir com Cristo dessa forma, para além de que não é época para pôr grandes enfeites na igreja.
A casa dos pais da Lurdinhas é asseada mas não é lá muito grande portanto a boda foi coisa singela, a família de um, a família do outro e pouco mais. Para compensar, a Lua de Mel foi um fartote, começando os pombinhos por pernoitar no Buçaco, sabe que aquilo custa couro e cabelo mas é fino como eu nunca vi. Vista a Serra de uma ponta à outra rumaram à Batalha atrás de ver o Mosteiro. Ai mas é muito mais bonito que a nossa igreja matriz, pena ser Inverno que dizem que quando o Sol bate forte nos vitrais é que isto é encantador a sério. Mas olha vimos os jazigos daqueles reis todos, até lá estava o Infante Dom Henrique, há que séculos que Ceuta voltou para os mouros de que lhe valeu ralar-se? Antes de voltarem para cima passaram na Nazaré que a Lulu nunca tinha visto o mar, e ai tão grande que ele é. Nem ela havia viajado até tão longe nem o Fiat Seiscentos do meu sogro andado tantos quilómetros em tão pouco tempo. Mas portou-se bem, ah pois que há para aí muita máquina que não aguentaria tanto.
Não haveria de ser fácil para a jovem esposa cumprir o seu sonho de menina, ser mãe de outra menina ainda mais bonita e mais prendada. A certa altura já se julgava que era infértil, sequinha como um riacho em Agosto, e foi quando as regras lá tardaram a aparecer. E ela soube logo porque desde garota que era certinha como as horas (qual Kant!). Tal como soube logo que aí vinha uma menina porque a forma do ventre não engana e uma mulher sente estas coisas. Assim, nascida a bebé, dormia no seu regaço cansado das atribulações do parto, quando chegaram as visitas. E agora como lhe vais chamar? A tia do Tavares que viveu metade da vida na Suíça disse que Priscila é que está a dar lá fora. O avô disse que sim senhor, mas só se fosse Priscilla com dois éles como o Marcello Caetano, para que toda a gente saiba que não há comunistas em nossa casa e que somos gente de bem. A Lurdinhas estava a borrifar-se para o Marcello mas gostou da ideia porque com o éle a mais ficava ainda mais chique. Mas atenção, que ninguém mencione esta homenagem à prima-vizinha da frente, coitada, tem dois dos três filhos no Ultramar. Que matem os pretos todos e voltem rápido, sãos e salvos, meus ricos filhos!quarta-feira, 1 de julho de 2015
A certeza é o estado de ignorância de pior prognóstico
O conhecimento é o processo de descobrir as razões pelas quais a resposta correcta é (sempre) "mais ou menos".
Ou "depende".
Já vos escrevi sobre isto? Não estou certo. Escrevi isto há muitos meses num papel com o qual me cruzei hoje. Só a frase — o resto é reflexão de agora.
Quanto mais profundo é o conhecimento (em qualquer área) mais ele se aproxima do saber que nada é absoluto. Efectivamente quanto mais soubermos de uma matéria menos respostas taxativas podemos dar sobre ela. Porque não há verdades taxativas! Nem absolutas! Verdades absolutas são apenas sinónimo de conhecimento precário, insuficiente.
Isto é difícil e chato de explicar às pessoas. Porque no geral as pessoas querem precisamente uma resposta taxativa, simplista.
"Sim isto é mau." ; "Sim está correto." ; "Não, isto não faz bem." ; "Esta é a opção perfeita.".
Porque o mundo é mais fácil de lidar se for dividido em duas categorias, e o meio, o "depende", não é agradável. O depende passa a decisão para o nosso lado. E nós não gostamos de decisões — porque envolvem responsabilidade.
Na mesma folha tinha também escrito: Na perfeita harmonia, perfeita apatia.
Mas discordo.
E não vou falar sobre isso porque não tenho tempo.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Não sei desenhar barcos
— Não sei desenhar barcos!
— E que tem isso?
— Tem que acho que precisava de desenhar uns.
— Precisas desenhar barcos e nao sabes?
— Creio que seja mais o inverso. Não sei desenhar barcos, e agora que me apercebi disso sinto que precisava de saber.
— Que tipo de barcos?
— Naturalmente galeões, que são os que menos sei desenhar.
— Pois, foi essa necessidade que nos levou a conquistar os oceanos. A dominar os mares! E em boa verdade tudo o resto.
— A necessidade de desenhar barcos?
— Não, a necessidade de fazer o que não se consegue.
— E que tem isso?
— Tem que acho que precisava de desenhar uns.
— Precisas desenhar barcos e nao sabes?
— Creio que seja mais o inverso. Não sei desenhar barcos, e agora que me apercebi disso sinto que precisava de saber.
— Que tipo de barcos?
— Naturalmente galeões, que são os que menos sei desenhar.
— Pois, foi essa necessidade que nos levou a conquistar os oceanos. A dominar os mares! E em boa verdade tudo o resto.
— A necessidade de desenhar barcos?
— Não, a necessidade de fazer o que não se consegue.
Belíssima música deste filho da mãe cujo título me inspirou para este texto sobre a verdadeira razão de quase todos os feitos épicos.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Ratos de Museu
Já é antiga a rivalidade entre os ratos de biblioteca e de museu. Há mesmo racismo entre as duas facções (estive tentado a dizer raticismo e ia ser mau...).
Os ratos de biblioteca sempre se gabaram de viver na génese da cultura.
Os outros dizem que já havia pinturas rupestres antes dos livros.
Os primeiros respondem que os desenhos rupestres são apenas os antepassados das letras, um sistema de escrita primitivo. Bons tempos quando a palavra "cavalo" era composta por uma cabeça, quatro patas e um rabo.
Ignorantes! — dizem uns. Insensíveis! — retaliam de cima das estátuas os outros.
Imprecisos! — criticam do alto das estantes, dizendo que o seus métodos são os únicos confiáveis. Ditadores! — alegam no museu dizendo que não há liberdade nem espaço para a personalidade nas bibliotecas.
No museu os roedores consomem mais drogas mas apesar disso a taxa de mortalidade das populações é semelhante porque na biblioteca morrem mais de tédio, especialmente os ratos analfabetos claro está.
Dizem pela biblioteca que os livros são a cultura em estado casto, o conhecimento cristalizado no requinte mais sensual da sua pureza. Tão puro que, dizem eles, a leitura é o método mais fluido de transportar uma ideia, é mesmo a única forma de fazer ouvir-se uma ideia minha na tua cabeça, com a tua voz a pensar as palavras que eu escolhi. E é isso que eu te estou a fazer. A controlar-te a mente. A dizer as minhas palavras dentro da tua cabeça. Voltando aos ratos — já me exibi o suficiente.
No museu os ratos dizem que a arte (no museu os livros não são arte) é o conhecimento amaciado pela sensibilidade humana. Transversal à língua ou à literacia dizem. A brutalidade das ideias talhada para não ser indigesta. No museu uma lágrima chora-se, na biblioteca lê-se. E é esdrúxula!
É áspera a discordância entre os roedores.
Mas também, no fim de contas, o que percebem eles de cultura?
Já tentei dizer isto num desenho mas não consegui!
Os ratos de biblioteca sempre se gabaram de viver na génese da cultura.
Os outros dizem que já havia pinturas rupestres antes dos livros.
Os primeiros respondem que os desenhos rupestres são apenas os antepassados das letras, um sistema de escrita primitivo. Bons tempos quando a palavra "cavalo" era composta por uma cabeça, quatro patas e um rabo.
Ignorantes! — dizem uns. Insensíveis! — retaliam de cima das estátuas os outros.
Imprecisos! — criticam do alto das estantes, dizendo que o seus métodos são os únicos confiáveis. Ditadores! — alegam no museu dizendo que não há liberdade nem espaço para a personalidade nas bibliotecas.
No museu os roedores consomem mais drogas mas apesar disso a taxa de mortalidade das populações é semelhante porque na biblioteca morrem mais de tédio, especialmente os ratos analfabetos claro está.
Dizem pela biblioteca que os livros são a cultura em estado casto, o conhecimento cristalizado no requinte mais sensual da sua pureza. Tão puro que, dizem eles, a leitura é o método mais fluido de transportar uma ideia, é mesmo a única forma de fazer ouvir-se uma ideia minha na tua cabeça, com a tua voz a pensar as palavras que eu escolhi. E é isso que eu te estou a fazer. A controlar-te a mente. A dizer as minhas palavras dentro da tua cabeça. Voltando aos ratos — já me exibi o suficiente.
No museu os ratos dizem que a arte (no museu os livros não são arte) é o conhecimento amaciado pela sensibilidade humana. Transversal à língua ou à literacia dizem. A brutalidade das ideias talhada para não ser indigesta. No museu uma lágrima chora-se, na biblioteca lê-se. E é esdrúxula!
É áspera a discordância entre os roedores.
Mas também, no fim de contas, o que percebem eles de cultura?
Já tentei dizer isto num desenho mas não consegui!
A melhor conversa do mundo
Perguntei a Deus se ele existia.
Ele respondeu:
— Não, não existo.
Fez-se um silêncio constrangedor e ficou-se por aquilo. Não o tenho por mentiroso.
Claro que a melhor conversa do mundo teria de ser entre o homem e Deus.
A segunda melhor é entre dois golfinhos mas não a vou transcrever hoje.
P.S.: dois golfinhos tatuados. Numa nádega.
Ele respondeu:
— Não, não existo.
Fez-se um silêncio constrangedor e ficou-se por aquilo. Não o tenho por mentiroso.
Claro que a melhor conversa do mundo teria de ser entre o homem e Deus.
A segunda melhor é entre dois golfinhos mas não a vou transcrever hoje.
P.S.: dois golfinhos tatuados. Numa nádega.
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