domingo, 20 de abril de 2014

Incoerente mas também coerente


Incoerente, indeciso e volátil — não sabe o que quer!
Coerente numa coisa: o som, tão bom!

(i want to be a) Gangsta


Gangsta no more

A Felicidade De Encontrar Um Padrão (remédio para o sono)

Oh, que doçura incomensurável encontrar um padrão!
Uma "explicação", mesmo que imprevisível, improvável, ridícula, que importa, mas algo que se possa ver, mesmo que muito de esguelha, como uma explicação. Oh que alívio!
Foi porque se passou por um gato preto nesse dia. Foi por ser sexta-feira treze — como da outra vez. Foi por ser uma semana depois de partir um espelho. Foi porque os signos não combinavam — bem dizia na revista maria. Foi porque entrou com o pé esquerdo no campo — nunca falhou um penalti quando entrou com o direito. Foi porque não levou a gravata da sorte — nunca corre bem quando leva outra. Foi porque o número da lotaria dessa semana foi uma capicua e nessas semanas não pode usar sapatos castanhos nos dias das avaliações — só que esqueceu-se, vejam bem! Foi, foi, foi por isso!
Procuramos avidamente por um destes padrões, é disto que gostamos: emoldurar estes poios intelectuais depois de tanto termos procurado, garimpeiros escatológicos, que na exaustão da procura até os inventámos.
Estes nossos tesouros tem essencialmente de cumprir duas funções.
A primeira é ilibar-nos, ora, estas coisas têm de preferência de não depender de nós; factores externos improváveis e imprevisíveis são os mais adequados. Que culpa teve ele de Marte estar desalinhado com Vénus? Não podia fazer nada! Esta é a função que vos vai deixar entrar facilmente no sono à noite, a respiração volta a ser profunda e calma e o vosso semblante enquanto adormecem torna-se angelical — a leveza com que ficam depois de deportar a culpa para fora da Terra...
A segunda é a que nos livra dos pesadelos matinais, terrores de impotência que nos acordariam na madrugada tardia. Esta segunda função é assegurar-nos de que o acaso não existe, é livrar-nos da vulnerabilidade do aleatório. Acha-se uma explicação estúpida e ela faz esquecer que pode nem haver uma razão efectiva controlável, ou pior, que se ela existir a ignoramos. Sem a percepção da ignorância não há a percepção da impotência! Perfeito! E depois é só evitar fazer os exames com canetas pretas!
E assim se passam noites descansadas na ressaca do fracasso! Desenha-se o sol numa folha de papel e acredita-se que a chuva está a parar de cair!

Vale a pena esta abordagem cobarde?

segunda-feira, 10 de março de 2014

Reconciliação — Esta e as Outras

Este é um post que equivale àquela conversa entre dois amigos ou um casal, após a resolução de um diferendo. Não que tenha havido qualquer periclitante discordância minha convosco, caros leitores, ou mesmo qualquer desagrado recalcado. Mas é certo que atravessámos um silêncio (que só não foi constrangedor porque já estamos tão mutuamente habituados), como aquele que se segue a uma desavença. Posto isto, cabe-me agora encarnar um papel clássico: vir sôfrega mas ternamente, transbordando de desejo já mal contido, tão fortemente exacerbado pela suposta anterior chatice, pegar-vos docemente nas mãos e partindo delas progredir geograficamente e conquistar com carícias todo o resto do corpo... Mas como a nossa relação é meramente virtual, e de cariz apenas intelectual, façam o contraponto desta imagem para o nosso contexto de referência — que sou eu como blogger pedir-vos desculpa por já não escrever aqui há muito tempo.
Cumpridas as formalidades da praxe passemos para o que interessa, que evidentemente neste caso será o que eu vos tenha a dizer. Ora e vamos aproveitar a temática e falar de reconciliações.
Engraçado que após uma briga/desavença haja uma intensificação positiva dos sentimentos. Curioso! Perante um erro, uma falha, após a sua correcção, não só se volta a atingir o patamar anterior, como ainda se supera este. E isto é uma característica exclusivas das relações. Nem na indústria, nem no desporto, nem na política nem na economia, nem em área alguma que me lembre, acontece algo semelhante. Após uma falha, a confiança nunca retoma ao nível prévio, porque se desconfia sempre de ser provável uma repetição da mesma. Mas talvez a questão seja mesmo essa, talvez essa intensidade dos afectos não traduza de facto uma maior confiança, talvez o contrário, talvez se exacerbem os sentimentos como forma de preencher e disfarçar essa lacuna na confiança. Explicações à parte, a existência do fenómeno é inegável, não é apenas mais um cliché infundado. O que eu reparo é que há pessoas, raparigas para ser preciso (não digo que não haja rapazes que o fazem, mas cinjo-me ao que observo) que parecem reconhecer isto como um recurso usável e procuram-no conscientemente. Pelo menos é a única explicação que eu encontro para a procura constante, insaciável (patológica?) por dramas relacionais. Farejam avidamente a mais insignificante situação para gerar um problema, um problema sério!, que terá de passar por todas as fases protocoladas de resolução de uma briga conjugal. O drama, a irredutibilidade, a aparente insolubilidade do problema, o afastamento e o silêncio, e por fim com todo o esplendor: a reconciliação! Esse pico, esse êxtase pós-depressão, esse sentimento de evolução desmedida desde a hora ou o dia anterior!
A minha única forma de entender isto, é que na impossibilidade de manterem uma relação basalmente interessante, motivante, boa o suficiente para ser considerada globalmente positiva, procuram gerar estas situações, esta instabilidade, este afundar mais um pouco aquilo que já é um afogamento crónico, para ganhar um bocadinho de impulso e ter mais uma breve golfada de oxigénio — mais uma reconciliação. Mais um pequeno momento intenso e saboroso para servir de memória positiva que se agarra e se revisita para ajudar a suportar mais uns tempos aquilo que em si já não faz grande sentido. Para parecer que ainda vale a pena. É triste... Mas se não for isto, alguém que me explique, é que vejo disto em tanto lado...
#desculpemlanaodizernadahatantotempo #voltei #continuoagostardevoces #istoetaoridiculo #entendaseestacritica(nãomerefiroàdotexto)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ó Sócio!

Zé não sei o que andas a fazer aí no Porto, mas deves andar muito ocupado porque este blog está às moscas. Vê lá se queres perder a meia dúzia de visitantes que temos por dia (a contar com os vírus, evidentemente, temos imenso respeito por eles que também são filhos de Deus).

Vade Retro, Lúcifer

Epá, passo-me com este pessoal todo a espetar com comida no facebook. Uma pessoa já passa 75% do dia a pensar no assunto. Give us a break!

Red Velvet Oreo Truffle Fudge Cake  This was made for my bff - I'm certain of it!!

C'um caraças, vou almoçar que isto está impossível. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Bicho Papão

De vez em quando, com o coração a bater, dava bruscamente meia volta: que se passava nas minhas costas? Talvez a coisa começasse por trás de mim, e, quando me voltasse, fosse já tarde. Enquanto pudesse fixar os objectos, nada se passaria: olhava todos os que podia, pedras do chão, casas, candeeiros a gás; os meus olhos iam rapidamente de uns para os outros para os surpreender e os deter a meio da sua metamorfose. Não estavam com um ar inteiramente natural, mas eu dizia com força, para comigo: é um candeeiro, é um marco fontanário, e tentava, pelo poder do meu olhar, reduzi-los ao seu aspecto quotidiano. 
Jean-Paul Sartre, in A Náusea

A perfeita descrição do que experiencio sempre que ando às escuras. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Per-turbante


Sinto-me um bocado parvo depois de ter feito esta piada à Fernando Mendes.  Mas depois olho para esta imagem outra vez, relativizo (cá está o risco!), e reencontro a minha paz...

domingo, 19 de janeiro de 2014

O Perigo De Relativizar

Annie Hall: Alvy, you're incapable of enjoying life, you know that? I mean you're like New York City. You're just this person. You're like this island unto yourself.
Alvy Singer: I can't enjoy anything unless everybody is. If one guy is starving someplace, that puts a crimp in my evening.

in Annie Hall 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Já Vi O Vídeo Do Ronaldo A Chorar

Aquilo foi um golpe muito baixo da criança, muito baixo. 

Tech Issues

É muito chato ter um smartphone quando não se é suficientemente smart para o phone. Escrever mensagens nesta coisa é um desafio e sem querer já fiz várias chamadas, eliminei um programa e volta e meia encontro-me numa aplicação sem saber como lá entrei. Um dia destes recebo uma conta gigantesca para pagar. Meu velhinho telemóvel, tão prático e tão agarrável, como me fazes falta.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Teoria Da Conspiração

Será que o Eusébio esteve à espera que as festividades do Mandela cessassem para falecer?



(Disparates à parte:) Descanse em paz!


Da Sopa

À mesa de jantar, o meu primo de 7 anos, na minha diagonal, fita o seu prato mal cheio com uma concha de sopa que mal cobre os desenhos da cerâmica. Olha aquela suspensão aquosa com uma dor que nem Sócrates sentiu perante o seu cálice de cicuta.
Por minha vez. a sopa sabe-me lindamente, nesta fria noite de janeiro. E custa-me acreditar que lhe possa custar tanto a ideia de comer tão poucas colheres de uma coisa que é praticamente só água, quase sem vegetais. Acto contínuo, recordo a angústia que eu sentia na idade dele perante um prato de sopa. Os doze trabalhos de Hércules foram, com certeza menos penosos do que a longa odisseia que era, para mim, ingerir vinte colheres de sopa. Aquelas algas verdes à tona do caldo... Quais bichos repugnantes! Sim, comer sopa não era de todo agradável, era uma tortura, para mim e para os meus pais que muito se empenhavam em fazer de mim uma criança saudável e bem nutrida. Era uma batalha travada a todos os jantares, ganha ora por mim, ora por eles. Muitas vezes com lágrimas e súplicas à mistura. Sim, já me lembro, nitidamente daquela sensação de quase raiva que sentia por não me deixarem passar directamente para o bife com batatas fritas e ovo estrelado (como era fácil fazer uma criança feliz, outrora). 
Após pensar melhor, compreendo tão bem a dor do meu primo. Subitamente, sinto compaixão pelo infante que não entende que a sopa não sabe assim tão mal e faz muito bem à saudinha. Não é fácil viver num mundo em que quase tudo o que sabe extremamente bem, nos causa um extremo mal. Não obstante, à medida que crescemos vamos, gradualmente, aceitando esta inexorável verdade. Hoje, posso dizer que adoro sopa, tanto como aquela gente que eu achava louca quando me dizia que a "sopa é do melhor que há!". De facto, é. É do melhor, cheiinha de fibra, ferro, vitaminas, até ao infinito e mais além, para mim que pretendo viver muito para lá dos cem. Só é pena que continue a gostar das outras coisas menos benéficas, cheiinhas de corantes, conservantes, gorduras trans, etc, etc. Mas, quiçá, lá chegarei. Passos pequeninos. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Os Festejos do Ano Novo

Curioso este hábito de celebrar, com tanto fulgor, o quê afinal? A Terra ter completado mais uma volta em torno do sol? Não é bem isso, porque a órbita terrestre não tem propriamente um início ou fim. Se fosse essa a ideia celebrava-se no equinócio ou no solstício. Celebrar então que a Terra tenha dado mais uma volta em torno do sol, desde a celebração do ano passado?
É uma celebração um bocado oca, até estúpida, mas já está tão enraizada culturalmente que é bastante difícil darmos conta disso.
O que há a celebrar na passagem de ano é haver uma desculpa generalizada para uma festa generalizada. Há a celebrar ter uma boa oportunidade para um bom convívio. É talvez o dia mais fácil do ano para convencer toda a gente de que tem que se juntar para fins meramente recreativos. Não há, em si, grande razão de alegria por mudar o número do ano do calendário gregoriano.
Engraçado também, mas de existência mais compreensível, são as resoluções de ano novo. É uma data fácil de decorar, um marco, para olhar para trás, contextualizar no tempo e avaliar. Estes dias de Janeiro devem aqueles em que a Humanidade tem mais expectativas e planos. Vão depois, é claro, esmorecendo ao longo dos primeiros meses do ano, discretamente vão-se esbatendo, sem querermos dar por isso (incomoda reparar que não cumprimos o que nós próprios queríamos), até à transparência total.
Se não houvesse passagem de ano, seria este mundo um mundo pior? A julgar pela quantidade de boas decisões e bons planos traçados nesta data dir-se-ía que sim, mas uma segunda análise, que considera a perseverança das mesmas, indicia-nos que não seria grande a diferença.
Então, moral da história, aproveitem as passagens de ano acima de tudo como uma oportunidade de passar um bom bocado — é essa a única razão legítima para a sua existência festiva. Quanto a reavaliações, correcções e feitura de planos para endireitar a vossa vida, isso não é para ser feito nessa data, mas sim diariamente!