quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Tech Issues

É muito chato ter um smartphone quando não se é suficientemente smart para o phone. Escrever mensagens nesta coisa é um desafio e sem querer já fiz várias chamadas, eliminei um programa e volta e meia encontro-me numa aplicação sem saber como lá entrei. Um dia destes recebo uma conta gigantesca para pagar. Meu velhinho telemóvel, tão prático e tão agarrável, como me fazes falta.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Teoria Da Conspiração

Será que o Eusébio esteve à espera que as festividades do Mandela cessassem para falecer?



(Disparates à parte:) Descanse em paz!


Da Sopa

À mesa de jantar, o meu primo de 7 anos, na minha diagonal, fita o seu prato mal cheio com uma concha de sopa que mal cobre os desenhos da cerâmica. Olha aquela suspensão aquosa com uma dor que nem Sócrates sentiu perante o seu cálice de cicuta.
Por minha vez. a sopa sabe-me lindamente, nesta fria noite de janeiro. E custa-me acreditar que lhe possa custar tanto a ideia de comer tão poucas colheres de uma coisa que é praticamente só água, quase sem vegetais. Acto contínuo, recordo a angústia que eu sentia na idade dele perante um prato de sopa. Os doze trabalhos de Hércules foram, com certeza menos penosos do que a longa odisseia que era, para mim, ingerir vinte colheres de sopa. Aquelas algas verdes à tona do caldo... Quais bichos repugnantes! Sim, comer sopa não era de todo agradável, era uma tortura, para mim e para os meus pais que muito se empenhavam em fazer de mim uma criança saudável e bem nutrida. Era uma batalha travada a todos os jantares, ganha ora por mim, ora por eles. Muitas vezes com lágrimas e súplicas à mistura. Sim, já me lembro, nitidamente daquela sensação de quase raiva que sentia por não me deixarem passar directamente para o bife com batatas fritas e ovo estrelado (como era fácil fazer uma criança feliz, outrora). 
Após pensar melhor, compreendo tão bem a dor do meu primo. Subitamente, sinto compaixão pelo infante que não entende que a sopa não sabe assim tão mal e faz muito bem à saudinha. Não é fácil viver num mundo em que quase tudo o que sabe extremamente bem, nos causa um extremo mal. Não obstante, à medida que crescemos vamos, gradualmente, aceitando esta inexorável verdade. Hoje, posso dizer que adoro sopa, tanto como aquela gente que eu achava louca quando me dizia que a "sopa é do melhor que há!". De facto, é. É do melhor, cheiinha de fibra, ferro, vitaminas, até ao infinito e mais além, para mim que pretendo viver muito para lá dos cem. Só é pena que continue a gostar das outras coisas menos benéficas, cheiinhas de corantes, conservantes, gorduras trans, etc, etc. Mas, quiçá, lá chegarei. Passos pequeninos. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Os Festejos do Ano Novo

Curioso este hábito de celebrar, com tanto fulgor, o quê afinal? A Terra ter completado mais uma volta em torno do sol? Não é bem isso, porque a órbita terrestre não tem propriamente um início ou fim. Se fosse essa a ideia celebrava-se no equinócio ou no solstício. Celebrar então que a Terra tenha dado mais uma volta em torno do sol, desde a celebração do ano passado?
É uma celebração um bocado oca, até estúpida, mas já está tão enraizada culturalmente que é bastante difícil darmos conta disso.
O que há a celebrar na passagem de ano é haver uma desculpa generalizada para uma festa generalizada. Há a celebrar ter uma boa oportunidade para um bom convívio. É talvez o dia mais fácil do ano para convencer toda a gente de que tem que se juntar para fins meramente recreativos. Não há, em si, grande razão de alegria por mudar o número do ano do calendário gregoriano.
Engraçado também, mas de existência mais compreensível, são as resoluções de ano novo. É uma data fácil de decorar, um marco, para olhar para trás, contextualizar no tempo e avaliar. Estes dias de Janeiro devem aqueles em que a Humanidade tem mais expectativas e planos. Vão depois, é claro, esmorecendo ao longo dos primeiros meses do ano, discretamente vão-se esbatendo, sem querermos dar por isso (incomoda reparar que não cumprimos o que nós próprios queríamos), até à transparência total.
Se não houvesse passagem de ano, seria este mundo um mundo pior? A julgar pela quantidade de boas decisões e bons planos traçados nesta data dir-se-ía que sim, mas uma segunda análise, que considera a perseverança das mesmas, indicia-nos que não seria grande a diferença.
Então, moral da história, aproveitem as passagens de ano acima de tudo como uma oportunidade de passar um bom bocado — é essa a única razão legítima para a sua existência festiva. Quanto a reavaliações, correcções e feitura de planos para endireitar a vossa vida, isso não é para ser feito nessa data, mas sim diariamente!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Tirar Teimas

Zé Manel, a propósito da nossa discussão gerada pelo meu post "Dica", sugiro que faças a experiência e postes aqui o resultado. Faz isso tal qual um anúncio da Neoblanc ou da Blanka Oxi Action. Faz água versus leite e vê o resultado. Assim, tiramos essa dúvida pertinente que colocaste. Porque este blog é muito conhecido pelo seu forte serviço público, parece-me errado deixarmos os nossos leitores sem uma resposta concreta. Suja 2 trapos com marcador preto. É pena já não existir molin, porque essa foi a marca com que pintei as calças.

B Fachada - O Fim

Este menino, não sei se é ele que fala ou o canábis que circula naquele cérebro, mas para além da sonoridade incrível tem sempre este estilo elevado mas próprio de escrever. Poesia erudita e popular ao mesmo tempo.

Já estou tão perto. Depois do deserto, quantas bocas cantarão?(...)Quando eu estou fora, toda a gente me adora, nunca durmo no chão...Corta na novela, para não criar mais bicho, se o amor te apela, dá-lhe exercício, parte uma costela para o osso ficar maciço.

O pesadelo de se ser adorado

Más notícias para os galináceos

Parece que pela primeira vez nos últimos cem anos (que é desde quando há registos minimamente fiáveis), a carne de frango é preferida à carne de vaca nos Estados Unidos.

meat consumption
(os interessados poderão ler a notícia aqui)

Uma óptima notícia para os produtores de frangos, uma péssima notícia para os frangos produzidos. Mundo de contrastes este...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dica

Um pouco off-topic e, no fundo, até nem é, com respeito à publicação "Ser Diferente - tirar nódoas de iogurte com sumo de cerejado Zé: uma óptima forma para tirar manchas de marcador é lavar com leite a ferver. Digo-o com conhecimento de causa. Prestem atenção que não duro sempre nem toda esta sabedoria de criança reguila e trapalhona.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Jamie Cullum - Twentysomething


Ah, e tal, porque é jovem... Qualquer semelhança com a minha realidade é pura sinceridade.

Attention Whores

Aqueles a quem, por engano, ao seleccionar o destinatário, enviamos um sms destinado a outra pessoa e que, em vez de perceberem, automaticamente, que não era para eles e ignorarem, estupidamente respondem:

- Ahh?

ou

- Quê??

ou

- Não percebi nada. 

ou equivalente.

Mesmo quando é alguém com quem nunca falamos, e cujo número de telemóvel está na lista de contactos há anos porque, simplesmente, nunca nos lembramos de apagar. Mesmo quando o conteúdo da mensagem é algo ultra-específico, obviamente não direccionado ao destinatário erróneo. Apesar das evidências, não resistem a brindar-nos com um Quê? só para nos darem ao trabalho de redigir uma explicação Desculpa, enganei-me ao seleccionar o contacto. Não era para ti, CLARAMENTE! -.-' -.-' -.-' (maísculas e caras de enfado subentendidas, claro, há que manter a cordialidade).
Torna-se, especialmente, irritante quando sucede diversas vezes com o mesmo indivíduo. A mente humana, ironicamente, tende a repetir os mesmos erros. Distrações habituais desembocam em repetidos enganos e, consequentemente, repetidas erratas absolutamente desnecessárias mas peremptoriamente exigidas 

A Náusea

"A minha tia Bigeois dizia-me, quando eu era pequeno: «Se olhares muito tempo para o espelho, acabas por ver um macaco.» Olhei muito, muito tempo, com certeza: o que lá vejo está muito abaixo do macaco, na fronteira do mundo vegetal, ao nível dos pólipos." 
Jean-Paul Sartre, in A Náusea

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Esmola Injusta

A esmola mais genuína que alguém pode dar, a mais difícil mas também a mais livre (e talvez por isso mais valorosa?), é aquela que é dada ao jovem ou adulto, que tem capacidade mais que suficiente para trabalhar, que é pedinte não porque a vida não lhe tenha dado oportunidades de não o ser, mas porque nunca as aproveitou. Essa é a esmola espontânea, independente, justa.

A esmola que damos mais facilmente é uma esmola condicionada. É a esmola que damos a um idoso ou uma criança, incapaz de trabalhar, inválido, frágil, doente ou deficiente. É um sentimento quase de culpa que descomprime os fechos das carteiras e facilita a retirada da pequena contribuição. É uma culpa pela nossa vantagem injusta, pela nossa sorte imerecida. É a dúvida subconsciente se a sorte e as oportunidades não serão de algum modo finitas, e distribuídas homogeneamente pelas pessoas, até esgotarem. E nessa ligeira angustia que vem perturbar a nosso importante dia, lá paramos e damos uma moeda. Cedemos um bilionésimo da nossa vantagem em prol do desventurado que nos apareceu para perturbar a nossa paz interior, paz essa alicerçada no esquecimento treinado. Atiramos um grão de areia para o outro prato da balança e seguimos caminho com a pose e a sensação de ter corrigido um desequilíbrio de toneladas. E a nossa paz não só é restaurada como é até orgulhosamente reforçada.  Essa esmola é injusta. É injusta porque parca, porque insuficiente, desproporcionalmente pequena para o bem que nos faz sentir. É injusta porque apesar de escassa ainda consegue não ser genuína. Porque é dada talvez mais a pensar no nosso bem estar interior que na ajuda a quem a recebe.

Obama


Acredito que não seja preciso dizer qual deles é.



The Lady of the Sunshine — Anna