domingo, 10 de novembro de 2013

A única certeza

A minha única certeza é que não se podem ter certezas.
A mais premente das minhas dúvidas é se isso é verdade ou não.

sábado, 9 de novembro de 2013

Eva Cassidy - Kathy's Song



Para ouvir num daqueles dias em que até nos sentimos alegres por estar a chover.

Como afiar uma espada com o cérebro - Psicologia Inversa

Estamos no Coliseu de Roma, momentos antes de entrarem para a arena dois gladiadores. O espectáculo só acabaria com a satisfação dos milhares de espectadores perante a morte de um deles. Os lutadores cruzam-se no caminho para as ante-câmaras.
Perante os sinais mal disfarçados de nervosismo de um deles o outro diz-lhe com aquele tom de amigo que faz uma crítica construtiva:
Nescio quid illuc est quod ille nihil. Homo timidus de maxime probabiliter adepto hic mortuus...
(que é como quem diz em latim: Não sei para que serve estares assim, provavelmente aquele de nós os dois que estiver mais nervoso sairá daqui morto...)

Naquele momento a espada do que falou ficou mais aguçada, e o escudo do que ouviu ficou mais pequeno.

Depois acabei por não ver o combate porque tinha marcada uma dança de exaltação ao deus Esculápio para pouco depois. E é que aquilo estava a demorar para começar, parece que um dos gladiadores estava renitente em entrar para a arena... Tive de ir, na Roma antiga levavam-se muito a sério as cerimónias religiosas. Em todo o caso também só tinha pagado meio denário para entrar.

PS: Para uma experiência mais realista podem ouvir no tradutor. Mas têm que imaginar que é uma gladiadora.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Limpador De Janelas Profissional


Hoje de manhã, durante os cinco minutos que esperei pelo 402 para ir para a faculdade, à falta de melhor distracção (raios partam o corrector linguístico a querer impor-me o acordo ortográfico, continuarei a pôr todos os cês), deleitei-me a observar o senhor que limpava a grande janela do Santander (passo a publicidade), em frente à paragem do autocarro. É admirável a destreza e graciosidade com que limpava a superfície vítrea. Com uma só passagem, não dando lugar a quaisquer vestígios de sujidade. Que pinta! Limpar vidros/espelhos é como ciência aeroespacial para mim. Por muito que tente, fica sempre uma cauda de detergente ou de fibras do pano de limpeza para trás. Como gostaria de possuir uma daquelas delgadas escovinhas e experimentar executar aquelas manobras em zigue-zague com as quais, em três tempos, se limpa um vidro coberto de pó, dedadas e sabe-se lá o que mais. 
Indubitavelmente que há profissões que têm um certo encanto, esta é uma delas. Especialmente aqueles profissionais que, ao jeito de um alpinista, trepam para limparem janelas a largos metros do chão. Como que um misto de fada-do-lar e Homem-Aranha. 

sábado, 2 de novembro de 2013

Uma Casa Intemporal

O apartamento londrino do decorador Alidad.









Kings Of Convenience feat. Feist - Know How


Surely, I'm no pioneer 
Constellations stay the same

A Arte De Não Entrar Em Parafuso

A cada semestre há aquela altura bem definida em que nos sentimos a chegar a um limite a partir do qual a "sorna" tem de acabar. A partir de hoje, navegarei neste mar neste lodo de aulas para ler, exercícios para resolver, relatórios para redigir e apresentações da treta (diluições e concentrações no 5º ano de Ciências Farmacêuticas? Paleeeease! É como quererem ensinar o alfabeto a um escritor) para aprimorar no Power Point, meu velho amigo de infância. Já é o meu nono semestre nestas andanças, desta vez vai ser com calma. Mergulhemos, Maria Inês, mergulhemos a fundo!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Prestes A Patentear

Sabem o que eu vou inventar?

Um cabide para phones. É isso que eu vou inventar.
Ninguém arruma uma camisa numa gaveta pois não? E porquê? Porque uma camisa guardada numa gaveta fica toda amarrotada, cheia de vincos, imprópria para o seu usufruto máximo. E não apetece a ninguém voltar a engomar uma camisa antes de a vestir. Por isso se usam cabides.
Com os phones a situação é a mesma. Por mais que eu invente, que estude mil formas diferentes de os guardar em mil sítios distintos, sempre que volto a pegar neles estão todos emaranhados, impróprios para o seu usufruto máximo. Sempre! E não apetece a  ninguém ter de resolver aquele quebra-cabeças sempre que vai ouvir música. Tudo seria evitado se houvesse um sítio apropriado para eles ficarem quietinhos. E esse sítio é o cabide dos phones. Em cada parede que esteja à frente de uma mesa onde caiba um computador vai existir um pequeno gancho apropriado para pendurar os phones. Sabem o que isto é? Isto é o futuro meus amigos!

Claro que há um outro futuro em que os phones não têm fios... Mas é um futuro mais caro!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Christopher Plummer - Edelweiss


Do magnífico, Música No Coração, cantada pelo severo capitão Von Trapp, Edelweiss, uma espécie de hino da Áustria. 




Edelweiss, Edelweiss
Every morning you greet me
Small and white, clean and bright
You look happy to meet me


sábado, 26 de outubro de 2013

Manu Chao - Bongo Bong

E Fumou Um Cigarro Presumido



O fumador é, invariavelmente, uma pessoa circunspecta, grave. Ninguém se atreveria, jamais, a importuna-lo. Aquele que fuma não está, tão somente, a segurar um cigarro entre os dedos e a inalar vapores através do vácuo causado pela sua boca. Oh não! Desengane-se o incauto transeunte que, desatento, possa passar pela esplanada e tal pensar. Aquele que fuma, reflecte. Reflecte pausada e profundamente. Tão pausadamente quanto os movimentos que, estudadamente, desenha no ar com o cigarro nos dedos. Tão profundamente quanto o fumo que desce a traqueia. Oh sim! Ele tem uma vida deveras complicada. Veja-se na expressão de sofrimento e seriedade que se estampa no seu rosto mal coloca o cigarro entre os lábios e se precipita para o bolso dos jeans em busca do isqueiro. 
Todos os seus problemas ascendem à mente aquando da primeira baforada. Como num passe de mágica, a pessoa que há segundos sorria bem disposta, transforma-se num importante pensador. Num filósofo. É possível que esteja a tentar lembrar-se de quem marcou o golo do Benfica no jogo de ontem à noite ou a tentar adivinhar quem sairá da Casa dos Segredos no serão de depois de amanhã. Tão superficialmente como o benzeno que aflige os olhos passivos à sua volta. Todavia, aos olhos de quem o observa, a pessoa que fuma, esforça-se por decifrar o mistério da vida ou raciocina acerca da melhor solução para acabar com os conflitos da Síria. Tão profundamente como a amónia que lhe atravessa os alvéolos. Tanto faz! Na pausa para o cigarrinho todos são reis e, como tal, devem ser respeitados. 
A afectação da maior das cabeças de vento quando se mune de algo fumável, seja um charuto, seja um fósforo, é um fenómeno curiosíssimo. O ar extremamente pensativo, os olhos semi-cerrados, a urgência em encontrar sítio onde depositar as cinzas, a sofreguidão ao inspirar, o modo aparatoso de expirar... em tudo se assemelha a uma cerimónia de tal forma solene, de tal forma nobre que, por momentos, esquecemos que aquele ser está a fazer algo de banal, copiado por vários outros milhões de pessoas. Não está a inventar a cura para a Sida, nem se prepara para receber o Prémio Nobel da Física.

Ah pois! Esta só a fumar... Pode relaxá-lo, dar-lhe prazer, mas nem por isso o torna mais inteligente. 



Would You?

Wolowitz: Sheldon, if you were a robot, and I knew and you didn't, would you want me to tell you? 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

(Não) Controlar o Controlador

Saber que não se tem água disponível é o mais potente indutor de sede.
Já aconteceu a todos.
Controlamos muito pouco o nosso cérebro. Já ele controla-nos bastante. É uma relação desequilibrada.
O cérebro não gosta de restrições à sua liberdade. Qualquer evento que lhe diminua as opções disponíveis é um potencial conflito e levar-nos-á a procurar fazer precisamente o que acaba de nos ser restringido. E isso muitas vezes não é uma vantagem.

Roger Daltrey - Giving It All Away