segunda-feira, 22 de abril de 2013

domingo, 14 de abril de 2013

Os homens são todos iguais

Eu sou adepto da versatilidade de discursos, das ideias próprias e acima de tudo da evolução. Principalmente da evolução das ideias e dos discursos. Isso é que eu gosto, muito.
Eu não percebo porque é que pessoas com a minha idade, com boa formação e educação, acesso à cultura e ao que lhes devia expandir um bocadinho o painel de ideias, continuam a ter a mesma visão, e pior, a transmitir as mesmas ideias quadradas que aprenderam com 13 anos a ver as novelas da tarde.
Escolhi o cliché do título como exemplo meramente por ter-me deparado com ele e com quem insistia em lançá-lo como argumento recentemente. Não é que seja pior do que tantos outros, mas o ridículo que lhe é intrínseco até calha bem porque o torna um excelente representante da sua classe. Um excelente representante desse manancial de ideias feitas que se ouvem em conversas constantemente, sem espírito crítico.
É uma generalização ridícula. Tão parva que eu acho que nem vou refutá-la argumentando, vou só avançar essa parte, por piedade.
O uso dessa expressão identifica um grupo de mulheres muito característico — são todas iguais. Essas mulheres são todas iguais: adoram aquelas guerrinhas de sexos, apresentam-se como eternas vitimas, não sabem argumentar racionalmente deixando de lado a emoção mas acham-se muito boas em discussões, dizem que os homens todos iguais mas paradoxalmente acreditam devotamente naquele romantismo (amor segundo elas) comercial piroso e irrealista, e ainda mais paradoxalmente quando estão solteiras procuram um namorado sofregamente. Há também a versão da rapariga cuja relação acabou recentemente e que passa a vida a dizer o quão mau era o ex, e que da primeira vez que ele estala os dedos corre doida de volta para ele, qual cachorro amestrado.
Os homens serem todos iguais (e muitas outros clichés do mesmo calibre intelectual) era uma coisa que eu gostava muito de debater quando andava no 8º ano... Eu acreditava que já tínhamos passado essa fase, mas não. Talvez nunca passe, talvez o mundo esteja condenado a assistir repetida e eternamente a essa discussão infantil...

sábado, 13 de abril de 2013

Deu-lhe a tremer

Os doentes de Parkinson tremem a uma frequência de 4 a 5 Hz.

Isto é um dado não só científico como médico. Já uma pessoa a tremer por nervosismo fá-lo a 8-13 Hz.

Coisas que eu nunca pensei saber. Melhor, coisas que eu nunca imaginei que se soubessem. (Coisas que justificaram a minha ausência durante esta semana também).

quinta-feira, 4 de abril de 2013

La Cage Dorée


Um filme sobre os emigrantes portugueses em França.


Por coincidência, ou não, a estreia em Portugal será somente em Agosto.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

sexta-feira, 29 de março de 2013

Insulto Paradoxal

Para que serve um insulto? Para expressar desagrado, para criticar, e até mesmo para ferir. Num insulto está sempre inerente a vontade de ferir, ainda que possa ser muito ténue e inconsciente, mas está. É para isto que serve o insulto. Foi para isto que ele foi criado.
Mas como tudo o que surge e se difunde, mais tarde ou mais cedo acaba por ser degenerado, usado inapropriadamente. Os insultos não são excepção, daí que hoje em dia assistamos frequentemente ao uso desviante deste recurso. Abordemos os casos mais paradigmáticos.
Tótó. "És um tótó" é o insulto menos insultuoso de sempre. Aliás, o objectivo de chamar tótó a alguém é precisamente o contrário de insultar. Tótó deve ser traduzido por: oh, eu quero meter-me contigo, dizer-te qualquer coisa para te picar mas deixando evidente que a razão pela qual te estou a "insultar" não é de todo relevante, principalmente face ao meu interesse em ti.
Pateta. Pateta é o outro arquétipo de insulto paradoxal. Chamar pateta a alguém mais não revela do que a vontade do insultante teatralizar uma reprovação muito ligeira a uma atitude do insultado, quando na realidade acha imensa graça a essa mesma atitude. Irei mais longe, ouvir alguém chamar pateta é sinal, numa grande parte dos casos, daquela ligeira distorção da realidade que afecta aqueles que estão a ficar enamorados. Aquela distorção que faz com que coisas absolutamente banais e até parvas tenham um toque doce e uma graça harmoniosa quando feitas por uma certa pessoa.
Agora quero deixar isto claro: há excepções! Não vá alguém cometer uma loucura porque alguém o chamou tótó! Portanto eu não assumo qualquer responsabilidade pelo que possa ocorrer nas vossas vidas mediante a interpretação destes insultos tal qual o GPS não se responsabiliza por uma multa de transito se lá disser que o limite de velocidade é 90 mas houver um sinal na estrada a dizer 30.
Ainda digno de referência são os comentários depreciativos no diminutivo: "és tão mauzinho", "não sejas chatinho"... este antagonismo entre a crítica e a afabilidade dos diminutivos levanta suspeitas.
Importante é não confundir um insulto ligeiro com um insulto paradoxal. Palerma, pascácio, nabo, etc, têm a real intenção de expressar uma crítica leve. Já um insulto paradoxal tem um sabor diferente e deve ser degustado mais como um elogio do que como uma crítica.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cool Medicine

Eu quase nunca vos falo do meu curso, e quando falo é para dizer, sinceramente ou distorcendo um pouco a realidade a meu favor, que é por causa dele que não tenho postado.
Hoje vou partilhar coisas de alguma forma relacionadas com ele e que vocês vão achar interessantes.
Vamos começar por falar daquele que será talvez o pintor mais famoso de sempre, dizem mesmo algumas bocas o melhor de sempre (mas não a minha)!
Pablo Picasso, o criador do cubismo tinha horror a ter sífilis, e não só teve o horror como acabou por ter também a doença, isto numa altura em que não havia penicilina (inicio do séc XX). Ora uma das complicações tardias da sífilis não tratada é a neurossífilis, que basicamente tem a ver com o atingimento cerebral. Alguns dos sintomas da neurossífilis são a visão dupla e tripla. Ora especula-se que esses sintomas tenham sido decisivos na inspiração do pintor no seu estilo, que como toda a gente sabe tem tudo a ver com a desconstrução de planos e perspectivas.

Les Demoiselles d'Avignon, o quadro que inaugurou o cubismo, pintado por Picasso. Referência evidente a um bordel, tipo de casa que casa que o pintor chegou a frequentar habitualmente em certo período da sua vida, entendendo-se portanto bem o seu medo e especialmente o ter-se tornado real.

Júlio Cesar, o grande imperador romano deu nome à cesariana não por ter nascido desta forma mas porque decretou uma lei em que no caso de morte da mãe durante o parto o médico que estivesse  a prestar assistência podia e devia abrir a barriga da mãe e tentar tirar a criança dessa forma com vida. Não sei se nessa altura isto correspondeu alguma vez a uma vida salva ou não.

Por último apresento-vos um caso clínico peculiar:

Ora aqui está uma radiografia. Antes de continuarem a ler peço-vos que atentem bem nela e tentem 
conjecturar um quadro clínico que a explique. (...tempo para pensar convertido em espaço no post...) Muito bem, terminado o tempo para resolverem o exercício é altura de ser apresentada a solução. Esta radiografia é de uma doente deu entrada no serviço de urgência com um vibrador "perdido" (foi difícil escolher que palavra aplicar) no recto. Um vibrador daquele tamanho! E assim está explicado o achado número um na imagem. Vamos ao não menos interessante segundo achado. Aquilo que aparece por baixo do vibrador é uma tenaz da salada que ficou presa (obviamente no processo caseiro de tentativa de remoção)... E é isto, acho que não preciso acrescentar mais nada. Eu bem disse que era peculiar...
(Peculiar que chegue para acabar por aqui o post!)