quarta-feira, 20 de março de 2013

Wassily Kandinsky


Nasceu em 1866, em Moscovo, na Rússia. A sua primeira paixão foi a música. Entretanto, formou-se em direito e economia política na Universidade de Moscovo. Aos 30 anos, encantado com um quadro de Monet, abandonou a carreira jurídica. Em 1900, em Munique, formou-se pela Academia Real.

Os seus primeiros trabalhos exprimiam a musicalidade e o folclore russo. Em Paris, onde viveu por um ano, Kandinsky entusiasmou-se pelas artes aplicadas e gráficas, bem como pelo estilo de pintura dos fauvistas. Em 1908, voltou a Munique. Publicou o ensaio Do Espiritual na Arte , em 1911, onde tratou a manifestação artística como expressão de uma necessidade interior. Em 1912, publicou o almanaque Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), nome de um quadro e do primeiro grupo expressionista, cuja vertente é mais lírica do que dramática, em relação ao grupo expressionista Die Brücke.

Voltou à Russia durante a Primeira Guerra, onde permaneceu até 1921. Acompanhou a Revolução Socialista e como membro do Comissariado para a Cultura Popular fundou vários museus. Reorganizou a Academia de Belas Artes de Moscovo. Foi também professor da Bauhaus a partir de 1922. Escreveu Ponto e Linha sobre o Plano onde reflete sobre os elementos da linguagem plástica e suas correlações, colocando os problemas da abstração.

Tornou-se cidadão alemão em 1928. Em 1933, a Bauhaus foi fechada pelos nazis e, em 1937, os seus quadros foram confiscados. Em 1939, fugiu para a França, onde se naturalizou. Morreu em Neuilly-sur-Seine, em França em 1944.















segunda-feira, 18 de março de 2013

Cuidado com a língua

Dia treze deste mês, dia em que saiu fumo branco da Capela Sistina, ia eu no metro ao fim da tarde quando soube que não fui eleito papa. Três raparigas, que por ali estavam sentadas àquela distância que faz forçosamente a conversa delas um bocado minha, começaram a falar sobre o conclave. Pois e é mesmo nesse momento, a caminho da trindade, que, repito, soube que não fui escolhido para ser o próximo Sumo Pontífice. Isto porque os eleitores são apenas os cardeais com menos de 80 anos, porém "qualquer homem maior de idade e não casado, que seja baptizado segundo os preceitos católicos, é elegível para Papa". Ora isto é uma definição onde eu encaixo como uma luva. Foi então com o espírito dividido pela alegria de se ter encontrado um novo pastor para orientar os caminhos da igreja e pela ligeira decepção de não me terem encontrado a mim, que ouvi dessa conversa alheia que já havia um novo Papa, e que era Argelino. Argelino, eu disse bem, da Argélia. Ora isso excluía-me obviamente. Então tratei de informar alguns dos que me são mais próximos.
Pessoas que andam no metro, nos autocarros, em todos os transportes públicos, pessoas que sabem falar línguas que eu entendo, pessoaque têm voz e que a usam, particularmente à minha beira: cuidado com o que dizem! Pessoas, não digam categoricamente estas coisas quando não as sabem categoricamente, ou quando não as sabem de todo. Vocês não sabem a repercussão que podem ter as vossas palavras não sábias. O novo Papa continua a não ser encarnado por mim, continua a não ser Português, nem Europeu. Mas a questão é que NEM ARGELINO! O novo Papa é Argentino, como eu vim a saber no dia seguinte. Mas, tal como é Argentino, por acaso de igual dimensão podia ter sido eu eleito, e graças a essas informações imprecisas eu andaria descansado sem saber, sem preparar sequer a mala para a ida para Roma...
Por isso, pessoas, fazei de todas as vossas afirmações robustas construções alicerçadas profundamente na certeza e na verdade, e dessa forma não fareis com que eu passe mais vergonhas às vossas custas!
Pessoas que leram isto: Por esta altura já todos devem estar a pensar na pouca coerência entre os moralismos que impinjo e as minhas acções. Para quem pede a certeza a cada palavra proferida assumir por verdade uma coisa que se ouve numa conversa alheia não parece muito bem. Não me vou defender, vou só usar esta técnica falaciosa de antecipar o vosso argumento para ele não parecer assim tão bom e descansar à sombra da unilateralidade (porque vocês quase nunca comentam! sim isto é uma crítica) desta nossa conversa.



quarta-feira, 13 de março de 2013

Cansei De Ser Sexy - Let's Make Love And Listen To Death From Above

Palavras Do Dia

Porque este blog é diversão mas também é cultura! hoje trago-vos duas palavras do dia, para enriquecer o vosso vocabulário (àqueles que já as conhecem peço que não se ofendam com a minha assunção de que não saberiam, bem sei que os nosso leitores são sapientíssimos e tenho-os em alta estima, (passo a graxa)). Ontem à noite, durante a minha  leitura habitual antes de adormecer, deparei-me, quase de seguida, com dois termos totalmente desconhecidos. É meu feitio intrigar-me acerca do significado de palavras com as quais contacto pela primeira vez. Se em alguns casos, mediante o contexto, é possível ter uma ideia, neste caso fiquei absolutamente a leste do sentido das frases em que se inseriam. Daí que tenha ido pesquisar:


ínvio
(latim invius, -a, -um)
adj.
1. Em que não há caminho.
2. Que não dá passagem; onde não se pode passar. = INTRANSITÁVEL

Sinónimo Geral: IMPÉRVIO
Antónimo Geral: PÉRVIO



hiante 

adj. 2 g.
Escancarado, muito aberto.


Procedamos agora a uma rápida e superficial análise. Ínvio, de facto é o paradigma de vocábulo relacionado com o seu significado. Senão vejamos: ÍN=NÃO/SEM; VIO que se assemelha a VIA=CAMINHO. 
Por outro lado, hiante, tem grafia e fonética que em nada deixariam prever o seu significado. À partida, o termo parece representar algo mais nobre e sublime do que ESCANCARADO. Com efeito, a nossa caríssima língua está longe de ser óbvia ou previsível. 
Por ora, deixo-vos um pouco mais sabedores.


Já sei que é raro termos qualquer feedback aqui - excepto quando falamos de comida ou criticamos depilação masculina - mas solicito, a quem por aí, tal como eu, se fascine com isto, que partilhe exemplos de palavras cujo sentido não combine com a grafia/fonética. Estabeleçamos um diálogo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Fantasporto

Ainda não foi desta que vi um filme de terror mas Vanishing Waves não desiludiu nada. Façam o favor de assistir.


Realizado por  Kristina Buožytė
País: Lituânia, França e Bélgica
Género: Romance, Ficção Científica, Thriller
Ano: 2012

domingo, 3 de março de 2013

Lovely

Mentaliza-te Que É Bom

Nos últimos anos comecei a beber café, não porque goste assim muito mas porque, às vezes, dá jeito estar acordada. Quando se tem aulas muito cedo ou é necessário estudar horas e horas seguidas num só dia. E o que tenho vindo a perceber é que o mais correcto é não pôr açúcar no café. Nada, zerinho. Porque os verdadeiros apreciadores não o fazem. Onde é que já se viu! Adoçar uma bebida que sem açúcar é simplesmente horrível, uma idiotice. Ora, eu só aprecio aquela zurrapa como ingrediente, quer numa bebida, quer num doce. Como aquecer um leitinho, adicionar uma colher de sopa de Nesquik, uma chaveninha de café e, idealmente, um nadinha de açúcar. Ou na baba de camelo, por exemplo. Assim o café é bom. Agora, tragar aquele nojo sem disfarce? Só se for com a velocidade de quem bebe um shot.  E a maioria dos chás, idem. Sem açúcar são meramente toleráveis, porque beneficiam a saúde. 
Há coisas que não engulo e pronto, acabou-se. Ahh, o vinho é o néctar dos deuses. Os deuses provaram o seu primeiro copo de vinho tinto e decidiram livrar-se daquilo, enviando-o para a Terra. É que esse nem com açúcar se salva. Aroma frutado, aroma a madeira, ohh este vai bem com chocolate... Não estraguem o chocolate, minha gente.

Fim à ditadura do olhar!

Vivemos na opressão. Vivemos em muitas opressões certamente, mas aquela a que me refiro não é económica nem política. Hoje eu falo de uma ditadura rígida instituída sob a forma de uma regra de etiqueta: é reprovável olhar deliberada e especificamente para o corpo de outra pessoa, particularmente quando o alvo é feminino e os olhos são masculinos.
Porquê? Porque é que é de mau tom olhar para o rabo, as pernas ou as mamas de alguém? Dito assim, sem rodeios, nu e cru, sentimos automaticamente uma tendência para aceitar que realmente é errado fazê-lo, mas não nos deixemos levar por emoções que fomos formatados para sentir desde tenra idade, sejamos racionais! Não há nenhum motivo muito lógico para ser assim, é só porque sim, porque fomos ensinados dessa forma desde sempre. É uma verdadeira ditadura, é totalmente não democrático, é uma regra imposta que nunca ninguém ousa discutir. Eu vou falar disto segundo a minha perspectiva, que é como quem diz em relação a olhar para o corpo de uma mulher, mas quem estiver a ler transpõe para o que mais pertinência tem para si, eu obviamente aceito e defendo exactamente a mesma posição quanto a olhar para o corpo masculino (embora o estigma seja muito menor nesse lado). Obviamente tem todo o sentido que o primeiro sítio para onde se olha seja a cara! É o que nos dá mais informação imediata sobre a pessoa. Mas depois não vejo porque não se possa olhar naturalmente para o resto do corpo, sem constrangimentos. Ninguém hesita e dizer "essa franja fica-te mesmo bem assim!", mas nunca se ouve com naturalidade "com essas leggings ficas com o rabo mesmo jeitoso". Dirão que o problema está na conotação sexual de algumas partes do corpo. Eu digo que não vejo nenhum problema em olhar-se para qualquer zona, independentemente da conotação sexual. O que é que a conotação sexual tem demais? Somos uma sociedade que não é, mas gosta de se dizer open minded. E como tudo o que tenta ser o que não é, só consegue fingi-lo em questões populares e óbvias, mas falha redondamente nos pormenores, na malha fina do quotidiano. Para além disso posso fixar o olhar nas mãos ou nos pés de qualquer rapariga sem que ela ou alguém se pergunte se terei um fetiche por pés ou mãos, sem que haja algum incómodo, porque a preocupação real não tem a ver com o lado sexual, a preocupação é a regra, a lei suprema, a norma pela qual todos se vergam e quando digo que todos se vergam também me refiro ao olhar.

A beleza é para ser apreciada, senão de nada serve. Que se veja sem desconfortos tudo o que é aprazível ao olhar, afinal olhar não traduz senão um elogio. Que se leiam todas as frases nos tops das raparigas, por mais insignificante que seja o seu sentido (como aliás é por norma), com a naturalidade que se lê o jornal. Que o corpo feminino possa ser olhado no dia a dia como se olha uma paisagem natural, que afinal ele faz parte da natureza tanto como as flores fazem! Fim à ditadura do olhar! 

sábado, 2 de março de 2013

Madrugada

A sensação de ver o Sol nascer no caminho para casa, já há muito que não sentia. É bom, virar o ritmo ao contrário e ver o mundo noutra perspectiva. Antes de me deitar, amanheceu. É bom, virar a rotina ao contrário e ver a vida noutra perspectiva. Não acontece muitas vezes, mas quando acontece, é libertador. Passamos meses ou anos a viver os mesmos dias e a pensar as mesmas ideias. Uma vez por outra, surge um pensamento diferente, para variar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

By the Rivers of Babylon We Sat Down and Wept


We sat down and wept by the waters 

Of Babel, and thought of the day 
When our foe, in the hue of his slaughters, 
Made Salem's high places his prey; 
And ye, oh her desolate daughters! 
Were scattered all weeping away.

While sadly we gazed on the river 
Which rolled on in freedom below, 
They demanded the song; but, oh never 
That triumph the stranger shall know! 
May this right hand be withered for ever, 
Ere it string our high harp for the foe!

On the willow that harp is suspended, 
Oh Salem! its sound should be free; 
And the hour when thy glories were 
ended 
But left me that token of thee: 
And ne'er shall its soft tones be blended 
With the voice of the spoiler by me!


Lord Byron, 1815

Works of Lord Byron Poetry Volume 3 frontispiece.jpg

Tendência para o dramatismo



O ser humano é inatamente um amante da desgraça, um apaixonado pela tragédia, verte lágrimas ao ver verter sangue e exibe as suas feridas em palanques na esperança de conseguir comover lágrimas alheias à sua causa. As pessoas têm um fraquinho secreto pela desgraça alheia e uma adoração não menor pela desgraça própria.
Pode parecer estranho, e aliás é estranho, mas as pessoas têm um certo prazer na infelicidade, especialmente na infelicidade espalhafatosa. Têm que ter, só isso explica a procura inconsciente por esses estados. Só um mecanismo de compensação como o prazer pode explicar que as pessoas ampliem muito mais que o necessário situações desvantajosas. As pessoas debruçam-se de tal modo sobre problemas pequenos que eles crescem adubados em tanta atenção. Só algum tipo de prazer justifica que as pessoas se sujeitem a situações de sofrimento tantas vezes sem razão para isso.
As pessoas sentem vertigens não porque tenham medo de cair, não só porque tenham medo de cair. Se fosse apenas o medo de cair, um corrimão que servisse de apoio resolveria a vertigem. Mas não. Ainda assim olhando para baixo o mundo balança. E o que o faz balançar não é senão uma batalha subconsciente entre o medo, que nos repele da zona de perigo, e a vontade sôfrega de nos lançarmos, que nos empurra para o abismo. E vacilamos no equilíbrio enquanto medem forças, e por fim, normalmente, o desejo dramático de nos desintegrarmos é superado pelo medo, que é um instinto muito mais primário.
Mas é assim que o ser humano é. Creio que se reflectirmos bem, todos concordaremos que este fascínio pelo drama é algo intrínseco e praticamente universal. Felizmente há quem saiba controlar esta faceta, e eu acho que evoluídos como estamos nos dias que correm, devíamos, à semelhança do que fazemos constantemente com as nossas características físicas, começar a escolher, a moldar e a mudar se necessário, as características da nossa personalidade.

Mensagem fulcral

Caros leitores,
             apreciais ser tratados deste modo tão formal, porém revelador de afecto?

Não quero saber... arrependi-me depois de escrever "caros leitores", mas para este post ficar maior decidi deixar ali. E depois decidi perguntar se é confortável ser um leitor a quem eu me dirijo tão afavelmente. É que sempre que alguém lê "caro leitor" tem que sentir o vocativo tocar-lhe, tem que virar a cabeça metaforicamente como a vira quando ouve o seu nome. Portanto se alguém estiver precisado do meu afecto é só vir aqui ler isto: Querido, caro, caríssimo leitor, este post era só para dizer que depois de uma pausa não programada motivada por estudo extenuante voltei ao activo, voltarei a brindar-vos com os meus fabulosos textos.