sábado, 12 de janeiro de 2013

Deus e a cirurgia

"Deus, podemos supô-lo, previu o homicídio, mas não a cirurgia. Nunca lhe passou pela cabeça que, um belo dia, o homem se atrevesse a meter as mãos no mecanismo que ele inventara e cuidadosamente embalara, selara e fechara com pele para melhor o furtar aos seus olhos."
Dito, digo, escrito pelo senhor Milan Kundera n'A insustentável leveza do ser.
Eu que olho para isto vejo não um mas dois furtos. É que Deus furtou-nos da visão esta sua invenção, obra-prima, magnífico e complexíssimo mecanismo, tapando-o com um invólucro de pele, porque dizem ser o segredo a alma do negócio. Já o Homem, o médico, o cirurgião, o curandeiro, furta a Deus um homem sempre que o cura, sempre que o compõe. Interfere e muda aquele que seria o desígnio natural, e portanto divino, desse ser. Se não o rouba pelo menos atrasa a sua devolução ao mestre, sem pedir primeiro a sua permissão.
Claro que se soubermos este Deus omnipotente temos então que admitir que Ele se deixa furtar, qual agricultor que olha paternalmente uma criança a apanhar uma maçã de uma árvore sua.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

The Strokes - Last Nite

Nomeações Aos Óscares 2013



Melhor Filme
"Beasts of the Southern Wild"
"Silver Linings Playbook"
"Zero Dark Thirty"
"Lincoln"
"Les Miserables"
"Life of Pi"
"Amour"
"Django Unchained"
"Argo"
Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz, "Django Unchained"
Philip Seymour Hoffman, "The Master"
Robert De Niro, "Silver Linings Playbook"
Alan Arkin, "Argo"
Tommy Lee Jones, "Lincoln"
Melhor Actriz Secundária
Sally Field, "Lincoln"
Anne Hathaway, "Les Miserables"
Helen Hunt, "The Sessions"
Amy Adams, "The Master"
Melhor Realizador
David O. Russell, "Silver Linings Playbook"
Ang Lee, "Life of Pi"
Steven Spielberg, "Lincoln"
Michael Haneke, "Amour"
Benh Zeitlin, "Beasts of the Southern Wild"
Melhor Actor
Daniel Day Lewis, "Lincoln"
Denzel Washington, "Flight"
Hugh Jackman, "Les Miserables"
Bradley Cooper, "Silver Linings Playbook"
Joaquin Phoenix, "The Master"
Melhor Actriz
Naomi Watts, "The Impossible"
Jessica Chastain, "Zero Dark Thirty"
Jennifer Lawrence, "Silver Linings Playbook"
Emmanuelle Riva, "Amour"
Quvenzhané Wallis, "Beasts of the Southern Wild"
Melhor Argumento Original
"Zero Dark Thirty"
"Django Unchained"
"Moonrise Kingdom"
"Amour"
"Flight"
Melhor Argumento Adaptado
"Lincoln"
"Silver Linings Playbook"
"Argo"
"Life of Pi"
"Beasts of the Southern Wild"
Melhor Filme Animado
"Frankenweenie"
"The Pirates! Band of Misfits"
"Wreck-It Ralph"
"Paranorman"
"Brave"
Melhor Filme Estrangeiro
"Amour"
"A Royal Affair"
"Kon-Tiki"
"No"
"War Witch"
Melhores Efeitos Visuais
"Life of Pi"
"The Hobbit: An Unexpected Journey"
"The Avengers"
"Prometheus"
"Snow White and the Huntsman"
Melhor Fotografia
"Skyfall"
"Anna Karenina"
"Django Unchained"
"Life of Pi"
"Lincoln"
Melhor Guarda-Roupa
"Anna Karenina"
"Les Miserables"
"Lincoln"
"Mirror Mirror"
"Snow White and the Huntsman"
Melhor Documentário
"Searching for Sugar Man"
"How to Survive a Plague"
"The Gatekeepers"
"5 Broken Cameras"
"The Invisible War"
Melhor Curta-metragem Documental
"Open Heart"
"Inocente"
"Redemption"
"Kings Point"
"Mondays at Racine"
"Snow White and the Huntsman"
Melhor Montagem
"Lincoln"
"Silver Linings Playbook"
"Life of Pi"
"Argo"
"Zero Dark Thirty"
Melhor Caracterização
"Hitchcock"
"The Hobbit: An Unexpected Journey"
"Les Miserables"
Melhor Banda-Sonora:
"Anna Karenina"
"Argo"
"Life of Pi"
"Lincoln"
"Skyfall"
Melhor Música
"Before My Time" from "Chasing Ice"
"Everybody Needs A Best Friend" from "Ted"
"Pi's Lullaby" from "Life of Pi"
"Skyfall" from "Skyfall"
"Suddenly" from "Les Misérables"
Melhor Design de Produção

"Anna Karenina"
"The Hobbit: An Unexpected Journey"
"Les Misérables"
"Life of Pi"
"Lincoln"
Melhor Curta-Metragem Animada

"Adam and Dog"
"Fresh Guacamole"
"Head over Heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"
"Paperman"
Melhor Curta-Metragem

"Asad"
"Buzkashi Boys"
"Curfew"
"Death of a Shadow (Dood van een Schaduw)"
"Henry"
Melhor Edição de Som

"Argo"
"Django Unchained"
"Life of Pi"
"Skyfall"
"Zero Dark Thirty"
Melhor Mistura de Som

"Argo"
"Les Misérables"
"Life of Pi"
"Lincoln"
"Skyfall"


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Há Que Acabar Com O Estigma!

1º: O Pediculus sp (piolho) não tem preferência por cabelos sujos;

2º: A infestação por Pediculus sp (piolho) não reflecte falta de higiene pessoal ou domiciliar.



Agora, pode sim, estar intimamente ligado ao facto da criança ter escovado
 o cabelo com o pente do cão... (não necessariamente experiência própria)


Tom Waits - New Coat Of Paint

Exsudado, exsudativo...

Detesto esta família de palavras.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

É Um Disparate Sequer Comparar

"The real difference is that Jo Rowling is a terrific writer and 
Stephenie Meyer can't write worth a darn,"


Stephen King, in USA Weekend


Linda Martini - Dá-me A Tua Melhor Faca

Click!

I tried taking pictures, but they were so mediocre. I guess every girl goes through a photography phase. You know, horses... taking pictures of your feet.
Charlotte, em Lost In Translation


Fenómeno curioso esse de toda a gente querer ser fotógrafa, hoje em dia. Todas as outras profissões correm o risco de extinção. Excepto cantor e actor, claro, essas serão sempre populares.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Some Classic Dior











Dépeche Mode - Policy of Truth

Então Mas Não Era Só Para Estudar Remédios?

"Boa noite, professor de Parasitologia,

sou aluna do 4º ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas de modo que, sim, estou a frequentar a sua unidade curricular este semestre. Venho dizer-lhe que não estudarei as suas aulas. Jamais. Não porque não me interesse por todos os enredos envolvidos nos ciclos de vida dos parasitas. Eu acho até muito interessante ver a bicheza ao microscópio, os ovos, os quistos, são muito giros. É, antes,  porque não consigo suportar as imagens de ténias a sairem de... ânus, pés podres e outras coisas do género que tão abundantemente povoam os seus  slides. E não dá para aguentar um ataque de pânico a cada mudança de página. Assim, venho pedir-lhe para que, quando eu for fazer o exame à sua cadeira, daqui a ano e meio, na época de finalistas, seja compreensivo e me dê 9,5 valores, para que possa acabar o curso sem me traumatizar com a quantidade de bicharada asquerosa que pode, hipoteticamente, colonizar o meu organismo. 

Com os melhores cumprimentos, 
Inês Barbosa

P.S.: Prometo nunca me candidatar a nenhum emprego na área."



segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Le Réveillon



Hoje é dia de vingar todas as horas passadas a estudar, dos últimos dias. Como diria uma querida amiga, vai ser "roda no ar" e "zumba que zumba!".


Caros leitores, quer decidam ficar em casa ou sair,
desejo-vos uma óptima noite. 
 
(E, por favor, não percam tempo da vossa vida sentados no sofá a ver quem vence na Casa dos Segredos.)

Pedra, Tesoura, Papel e os efeitos invisíveis do intelecto


Eis um grande clássico dos jogos que, ao contrário do que o nome parece indicar, não precisam de nenhum equipamento ou material para serem jogados. É mais complexo que o rival "par ou ímpar". Para além do mecanismo de jogo mais elaborado, também tem como vantagem a atractividade e até a parca lógica: sempre tem mais sentido e é mais cativante imaginar uma tesoura a cortar uma folha ou uma folha a tapar uma pedra, do que uma disputa pela paridade ou imparidade dos números.
O "pedra, tesoura, papel" (ou "pedra, papel, tesoura", depende dos autores, sendo este um debate de grande polémica) é também considerado uma das formas clássicas de tomar grandes decisões, particularmente resolver grandes disputas. Exemplos: quem é que vai lavar a louça; quem é que fica com o último mon chéri; quem é que ganha um concurso público... A minha própria vida foi direccionada à custa disto.
No que toca à estratégia de jogo, À primeira vista podemos ter a ilusão que neste jogo tudo depende da sorte. Mas veja-se melhor! Todos nós, jogadores disto (que somos, é inegável), sentimos aquela tendência inata para achar a pedra a melhor "carta" em jogo. De certo porque a pedra seria aquela que numa situação real poderia causar dano físico às outras. Na verdade os três objectos são iguais no que toca a vantagem no jogo, mas não, nem o papel nem a tesoura nos transmitem aquela sensação subliminar de segurança. A pedra vem, ao longo de milhares de anos, sendo enraizada na nossa cultura como símbolo de solidez (porque é efectivamente sólida), como símbolo de estabilidade: a pedra - entidade sobre a qual uma casa deve ser alicerçada. Portanto, um jogador tem uma tendência natural, não se deslindando dessa simbologia, para jogar "pedra". Ora um bom jogador sabendo disso deverá optar por jogar "papel" porque terá uma probabilidade melhor de ganhar. Um muito bom jogador, por sua vez, é aquele que, achando que o seu adversário não parece um novato e deverá jogar "papel", vai jogar "tesoura". Agora o que fará um exímio jogador? Um jogador exímio será aquele que olha para o seu adversário, tem a ousadia de diagnosticar o estádio em que ele está, e mediante isso adequa a sua jogada. Quando um jogador exímio encontra um muito bom jogador (que joga papel como já vimos) o que é que ele joga? "Pedra", tal e qual o novato! Isto é inteligência de efeito prático redundante. Para um observador, o que fica é o visível, é a "pedra", independentemente do trabalho intelectual oculto por trás da decisão. Na verdade isto neste jogo não me causa qualquer incómodo. Mas isto acontece em muitas outras situações. A actividade intelectual deve sempre deixar um rasto visível, para que seja reconhecida. Coisa que não aconteceu ( não aconteceu deixar rasto, porque o reconhecimento esse sim, esse existiu ) neste quadro de Joan Miró, chamado simplesmente Paysage: 
Onde eu quero chegar é, e apenas como exemplo, este quadro enorme, 2 metros de largura, está assim, sem nada que o explique, a ocupar meia parede no museu Reina Sofía em Madrid, um grande museu internacional, ao lado de por exemplo Guernica de Picasso. E o que é que isto é? Para mim isto não é criatividade nem genialidade, mas mera presunção. Até podem dizer que ele tinha uma elaboradíssima explicação para o quadro, que tudo tinha uma intencionalidade, mas se assim é, que o explicasse. Que o escrevesse. Que o colasse num post it no quadro quando o vendeu, isso é que era original! Para mim é uma obra preguiçosa, feita à espera que os críticos arranjassem uma forma complexa de a interpretar, por saberem que era dele. Para mim isto isto vale tanto como um desenho de qualquer miúdo de 4 anos. Ou vale menos, porque este não implicou esforço nenhum. Se tiver havido algum trabalho intelectual para que é que ele serviu, se está semelhante ao que qualquer miúdo faria? É que, bem, intelectual não podemos saber se houve, mas trabalho/empenho técnico esse não houve de certeza...
Não gosto quando se valoriza uma obra em função do autor. Quem garante que o miúdo de quatro anos não pensou mais do que o que se assume que Miró tenha pensado, na simbologia do desenho?
E nem sequer bonito é...

P.S.: ainda ficaram por falar as variantes do pedra-tesoura-papel com o fósforo ou o laser; a simbologia de cobrir (a pedra com o papel), que é uma vitória do intelecto em sociedade sobre o poder físico; e por dizer que eu gosto de Miró (no geral).