"As pessoas têm de os aprovar e ninguém os aprovará como operários, acham eles. As instituições corrompidas que se prostituem para este efeito ficam com a sua imagem destroçada e perdem as migalhas de credibilidade que religiosamente ainda podiam guardar, conseguem surpreender com tamanha indecência e descaramento."
Será muito naif da minha parte crer que a razão que motiva alguém a ingressar no Ensino Superior se prende com o gosto pelo conhecimento? Pelo interesse em aprender mais, evoluir e desenvolver competências numa determinada área. O futuro profissional importa, naturalmente, não sou tão romântica ao ponto de considerar que as perspectivas de futuro não têm peso. Todavia, tirar um curso com o único propósito de tornar-se Doutor/Engenheiro, ter um diploma que possa imprimir Licenciado no Curriculum, afigura-se-me como uma ideia desprezível. Onde está o orgulho, o brio em poder chegar ao fim de 3, 5 ou 6 anos de estudos e pensar que, após grande esforço, se conseguiu cumprir objectivos e tornar-se um pouco mais sabedor.
Entristece-me entender que neste país tudo isso é irrelevante, a qualidade da aprendizagem é nada mais que secundária perante cargos, prestígio e dinheiro. Não considero o percurso académico como sendo fundamental para uma pessoa, muita gente há que leva uma vida útil e meritória sem nunca ter entrado numa faculdade. Por alguma razão é um ingresso facultativo. Muito embora, hoje em dia pareça que não há alternativa, aos dezoito anos, que não seja ir tirar um curso. Não vale a pena, o tempo e o dinheiro que se gastam, fazê-lo se não pelas razões certas, muito menos se não for com a vontade de, efectivamente, estudar, aprender e fazer cadeiras. Os políticos têm a mania de que para o serem, é indispensável uma licenciatura que os credibilize. Sob pena de esta credibilização forçada e forjada descredibilizar, vergonhosamente, o Ensino Superior, nomeadamente, o privado. Não se admite que a Educação seja um comércio, tendo como prioridade o lucro, antes da Ciência. Poderá um povo seguir e confiar em líderes capazes de sucumbir a este tipo de facilitismo e artifício? Pelos vistos é, no mínimo, capaz de ignorar e olhar para o lado, basta lembrar o, igualmente lamentável, exemplo de José Sócrates.