quarta-feira, 9 de maio de 2012

Queima das Fitas 2012

So far, tenho líquenes incipientes nas plantas e entre os dedos dos pés.
A continuar este dilúvio, pelo fim da semana já me terei transformado numa bela sereia.

Waterhouse a mermaid.jpg

Anteontem, no Concerto Promenade que consta no programa da Queima tive a oportunidade de ouvir esta belíssima peça

De Franz Doppler, Andante e Rondo.



Pedido à FAP: por favor disponibilizem aí o triplo dos autocarros. A minha caixa torácica agradece.

sábado, 5 de maio de 2012

Adenda

Enquanto pesquisava afincadamente fotos de meninas desnudadas que apresentassem a proporção ideal de erotismo vs. bom gosto - porque há que fazer as coisas com pés e cabeça - deparei-me com algumas imagens intrigantes como esta, que pertence ao calendário Pirelli de 2012.


E não consigo deixar de questionar o seu sex appeal. É certo que a sensualidade é um conceito lato e subjectivo mas, esta posição é precisamente aquela que eu assumo quando me dói a barriga. Quando, desesperada,  procuro atenuar o meu sofrimento evitando recorrer a uma solução farmacêutica e, por muito incrível que pareça, nunca me senti propriamente sexy

A Pedro Pinto - Indecências

Tenho-me desleixado no compromisso de evitar que este blog se torne pudico.
Desta feita, 


a Adrianinha. Não tem metade da sensualidade da garota da pintura mas, eh, serve.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lógica da Batata

Sempre que me dói o peito fico alarmada, até perceber que a dor é do lado direito. Aí, respiro fundo de alívio  e não penso mais no assunto. Se não é o coração, não há crise. Todos os outros órgãos são secundários, só se morre de ataque do coração. 


Macacos me mordam se entendo...

... a razão que leva um homem a urinar na via pública, à luz do dia, como se fosse aceitável.
Ia eu, muito descansada, rua fora - não estamos a falar de uma ruela, de um descampado ou de um monte à beira de estrada, mas de uma rua larga e movimentada no centro do Porto - quando, ao descer o olhar do infinito para a Terra, me deparo com uma fonte humana virada para a parede. A parede de uma casa. 
A revolução que se deu no meu estômago acabou por dar lugar a uma lancinante sensação de indignação perante aquela cena deplorável. Aquela besta  pessoa estava consciente de que, à sua volta, circulava gente todavia, levou a operação a cabo com tamanha serenidade que quem o tivesse visto àquela hora e naquele lugar, como eu o vi, pensaria, por instantes, que de algo normal se tratasse. 


Poucos metros atrás ou à frente existe um café que, certamente, tem um WC mas, nitidamente, essa divisória tem vindo a perder popularidade e a cair em desuso, quiçá pela sua banalidade. Com certeza que é mais alucinante forçar o voyeurismo a transeuntes incautos que se servem do passeio com o simples propósito de... Chegar a algum lado. Que gentinha enfadonha, esta!


Ah, não é só quando ocorre à luz do dia que me incomoda, é um péssimo hábito em ambos os casos, o primeiro só me escandaliza mais pela maior lata necessária.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia Do Trabalhador

Saudades do tempo em que um feriado, efectivamente, significava descanso.




Sniff, sniff.

domingo, 29 de abril de 2012

Na Rua










A cusquice


Uma imagem vale mais que mil palavras. De Norman Rockwell.

Como disse que disse?

Ninguém me compreende. Não o digo sob o ponto de vista de uma drama queen, não é que eu me sinta ignorada e excluída da sociedade. As pessoas não compreendem o que eu digo, foneticamente falando. Nunca tive problemas deste foro mas, ultimamente, a minha dicção deve ter vindo a piorar, ao ponto de fazer arrepiar os grandes oradores da Grécia Antiga. Começo a pensar, seriamente, em procurar um terapeuta da fala, para ver se deixo de ouvir constantemente ahh?,  hein! e quê?. 
Eu não sou um bom exemplo de uma pessoa paciente, confesso. Frustra-me imenso, por vezes, ter de repetir uma ou duas vezes a mesma frase, perante um olhar arregalado e perdido. E o cenário piora, exponencialmente, numa conversa telefónica porque a minha entoação ao repetir é ainda mais ridícula, já que sou obrigada a falar muito devagar e pausadamente como se me dirigisse para uma criança pequena, surda e com um atraso cognitivo. En-tão...Co-mo...Co-rreu...O...Teu...Dia? À terceira, já o digo a gritar.   
Tenho de me disciplinar por forma a abrandar o meu discurso e melhorar a pronúncia de cada som. Corro o risco de, um dia destes, ter toda a gente a responder-me com acenos e sorrisos mecânicos e hesitantes, ao jeito de quem não entende o que lhe foi dito mas também não quer pedir para repetir. Pois, pois... Que é a resposta que os sopinhas de massa em estado avançado, e portadores de outros problemas de dicção, mais devem receber, coitados, agora percebo a sua dor. 


sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Pior Insulto Do Mundo

"És a banana na minha salada de fruta."

Detesto ter de catar as rodelas de banana por entre todos os outros frutos (realmente merecedores de constar numa salada de fruta decente) até poder, finalmente, comê-la em paz e sossego. Uma autêntica dor de cabeça! Mas porque há-de alguém conspurcar uma sobremesa de tal forma? 


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Paulo de Carvalho - E Depois Do Adeus


Porque houve tempos, não muito longínquos, em que as pessoas não podiam falar alto, só aos sussurros, com muita cautela. Viva a liberdade

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lição de Anatomia

Hoje, na aula de primeiros-socorros, aprendi que temos um pulmão do lado esquerdo e o coração do lado direito. 


Andei toda a vida enganada.

The Kills - Last Day Of Magic



Amor selvagem e doentio. 
Há dias assim.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Yummy



The Proper Etiquette Of A Woman Dating In The 1930's





Deparei-me com uma série de dicas como estas que pretendiam aconselhar a mulher, nos anos 30 a controlar-se comportar-se durante uma reunião romântica. Para além de conselhos que nada mais são do que senso comum como "don't sit in awkward positions", "don't drink too much", "don't keep him waiting." e "greet him with a smile", há aqueles que sugerem à mulher que vá sedada para o encontro.
Nada de grandes emoções, a ideia é estar lá sossegadinha e sorridente a ouvir o senhor falar, acenando, de quando em vez, com a cabeça em sinal de concordância e respeito. Afinal de contas, o homem merece e deseja toda a sua atenção.
Toda esta subserviência e idolatria tidas como ideais, naquele tempo, na época em que a minha avó namorava com o meu avô, explicam muito acerca da sua forma de pensar e agir, nomeadamente, acerca da sua intransigência em relação a mim e da sua condescendência em relação ao meu irmão. 
Imagino-me no lugar da rapariga das fotos, tendo de passar uma noite inteira com aquele homem picuinhas e mal-encarado. Admiro, grandemente, a sua paciência. Percorreu-se um longo caminho até aos dias de hoje, é bom ver que os cânones de educação se alteraram e uniformizaram, acabando-se(?) com a disparidade homem/mulher. Não é que não me tenha ensinado a manter uma boa postura: costas direitas, barriga para dentro e queixo levantado - a minha mãe fazia questão nisso. Todavia, nunca ninguém me disse que é de mau tom falar, dar opiniões e não parecer uma boneca automática, sorridente e embevecida perante o namorado/marido/dono. 
Pudesse eu renascer em qualquer era que não a actual, imediatamente a seguir a encarnar numa  espécie de Elizabeth Bennet, na Inglaterra oitocentista, eu seria uma mulher avant-garde em inícios/meados do século XX. Quando ser rebelde tinha, realmente, sentido e razão de ser, consistindo não em faltar a aulas mas em estudar (de preferência qualquer coisa que não corte e costura e culinária) e chegar mais longe do que os bons costumes ditavam. 


Contar carneiros, em vez de fungos

Ter uma aula de microscopia às nove e meia da manhã é meio caminho andado para adormecer em cima das oculares sendo que, ainda por cima, um olho deve logo à partida, estar fechado.